Publicado em A Gata Preta, Crónica de Um dia, Opinião, OUTROS

Uma geração que se esqueceu de parar

A evolução do ser humano deu-se ao longo da história sem grandes disparidades para os géneros (ahahahaha, piadinha).

A posição da mulher como cuidadora da família e o trabalho do homem como provedor do sustento do lar, formam postos quase históricos… “Só que não!”

Nas últimas décadas assistimos a uma alteração na atitude feminina que foi “parcialmente” acompanhada pelo sexo oposto… parcialmente digo porque da mesma forma que assisto ao aumento de mulheres a frequentar a universidade e a desempenhar cargos de carreira, assisto também ao aumento de situações de ruptura – psicológica, stress, familiar, laboral.

Nínguém aguenta. Nós mudamos!

Em geral o homem continua a ser encarado como “um ajudante”, alguém que se “esforça” para estar lá e desempenhar papeis que outrora seriam exclusivamente femininos.

E o pior é que nós exaltamos as qualidades de um homem que é Pai, trata do seu lar, compra o fornecimento semanal de alimentos para casa, como se isso fosse algo de extraordinário!

Exemplo prático, se o meu marido decidir cozinhar, tratar da roupa ou levar a miúda ao parque, tem todo o meu incentivo! “Vai amor, força nisso!”

A questão não são só eles que gostam de chegar a casa e sentar no sofá, tomar um banho demorado ou sair com os amigos! Nós também, e ninguém os avisou! Ninguém os avisou que queremos construir carreiras, ter filhos, viver em casas limpas e mudar o mundo! Ninguém os programou para isso porque as nossas mães faziam tudo antes sequer dos meninos terem tempo para colocar as meias no cesto da roupa!

A técnologia avançou, as mulheres seguiram um rumo e os homens, por total ausência da necessidade evolutiva, não perceberam que nós já não estamos na cozinha… a mulher saiu de casa e vai governar o mundo, se não hoje, amanhã, mas isso vai acontecer… porque nós somos as geração que se esqueceu de parar.

Pagamos elevado preço por isso mesmo. Pagamos com tudo aquilo que era exclusivamente nosso, pagamos com rótulos e insultos, pagamos com olhares de desdém e acusações de “má mãe”, “ambiciosa”, “egoista”…

Isto tudo para nos obrigar a andar só porque descobriram que não queremos deixar de correr, parece injusto, não parece?

Darwin explica. 😉

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Publicado em Música, Opinião, OUTROS

Dia 51/367 True colors, Trolls

A música tem alguns anos, o conceito de “Trolls” como criaturas felizes e coloridas de cabelo espetado data da minha infância… 90’s portanto. Não esperava uma surpresa tão agradável, mas a verdade é que os classicos encaixaram muito bem naquill que pode ser para alguns um exagero de cor… Coisas de filmes de animação. Mas como me recuso e ficar “antiga” … Vi na mesma.

É mais um trabalhos simpático da DreamWorks.

Vejam! 😉

“Happiness is inside You!”

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O que é “o” Algoritmo?

Adam do facebook explica como funciona uma parte significativa da nossa navegação na rede social.

Algoritmo é uma formula, um código usado para fazer aquilo que se faria por exemplo numa triagem da informação. Por isso é que é tão dificil para os gestores de redes sociais acompanhar esta realidade (tendo em conta que diferentes redes, com diferentes algoritmos estão cada vez mais a condicionar o acesso de páginas aos consumidores, confiando que mais cedo ou mais tarde todos iremos ceder e pagar para anunciar o nosso serviço.)

A seguir, e a seu tempo falaremos do nonio e das cookies… Porque é que nada é apenas benefício, tal como se apreaenta neste momento?

Be smart antes da bolha fechar.

Publicado em Crónica de Um dia, OUTROS

Nas muralhas do castelo

Só sabe o valor da calma quem já conheceu a tormenta. 

Sentei-me durante anos nas muradas do castelo a olhar de cima para baixo e a pensar na pouca vontade que tinha de regressar. Ainda hoje tenho pouca vontade de regressar, mas de outra perspectiva.

É tudo demasiado visceral, demasiado terreno e demasiado “eu” para ser vivido no quotidiano. Foi tudo vivido muito depressa com uma intensidade que deverá sempre algo por mais severa que seja a palavra para a descrever.

Enfio de novo a cabeça no livro e perco-me de novo a pensar nas muralhas do castelo, no nascer das magnólias a esta época do ano, no trinar das cordas em finais de Abril. Será que fica para sempre ou será que um dia me sentarei nas muralhas sem recordação, sem memória de percorrer a calçada com lugares elevados e veredas estreitas no caminho?

Receio o dia em que me esqueça.

Pensei que teria sempre saudades do Tejo. Não tenho. Não sinto a sua falta, o seu apelo, nem tão pouco a vontade de apresentar a minha prole aos cisnes do jardim. Ficou lá longe, não sei porquê. Ao contrário do que achava… ficou lá longe. Mesmo quando regresso, nunca regresso. Está lá longe. Eu sou outra pessoa e a cidade é outra cidade. Costumava pensar em todas aquelas caras que um dia partiram e não voltaram, ou que surgiam anos depois, do nada, já descontextualizadas e sem perceber o que se havia passado, ou o motivo pelo qual o mundo não havia parado na sua ausência.

Fiz as pazes comigo e com o mundo. Deixei de ter saudades de algumas pessoas, perdoei outras, perdoei-me a mim, perdoei a cidade, perdoei o que me castigou, perdoei quem castiguei por não me perdoar.

Eu não sou daqui. Não sou de lá. Sou de mim e é disso mesmo que preciso. Descalço os pés, coloco-os na areia e respiro fundo a brisa gélida que me cristaliza no caminho os pulmões. Expiro e enterro um pouco mais os pés.

Volto a olhar para o livro e liberto em desabafo:” Demoraste. Foi muito tempo, demoraste…”

Sinto uma mão no ombro, como que apaziguando esta consciência inquieta.

O que restou da minha ligação à cidade florida, está guardado no sorriso dos meus sobrinhos e nos braços das minhas irmãs de coração… o resto de mim,  despede-se e entrega a inexistente saudade ao perdão.

Quando voltar, que seja por amor àqueles que “são daqui“… o resto, o tempo levará a outras gerações que em meia década se irão cruzar com imagens e rostos que nunca conheceram e histórias que não farão ideia de aonde os levaram.

Publicado em As Causas, Idade dos Porquês, OUTROS

Dar

Dar

Todos os dias damos algo. Bom, não tão bom, mas damos.

Ela entrou na tua vida e optou por dar-te algo. Um sorriso. Amizade. Atenção. Qualquer coisa que implica partilhar o seu tempo.

Ele entrou na tua vida e sem perceber foi-te cativando. Um sorriso. Um gesto. Amizade.  Qualquer coisa que implica partilhar mais do que aquilo que os olhos conseguem ver.

Dar. Ninguém é obrigado a dar e ninguém é obrigado a receber. Sem problema. Dar é só isso mesmo, um acto intencional ou não de generosidade com ou sem expectativas.

Todos os dias nos cruzamos com pessoas a quem damos ou optamos por não dar. Se alguém te der o seu tempo, a sua palavra, a sua atenção, devolve.

No fim, somos apenas isso… Dar.

Um bom Domingo para todos 🙂