Pessoa e Sobral… que os homens também sentem.

Presságio

O AMOR, quando se revela,
Não se sabe revelar.
Sabe bem olhar p’ra ela,
Mas não lhe sabe falar.

Quem quer dizer o que sente
Não sabe o que há de dizer.
Fala: parece que mente…
Cala: parece esquecer…

Ah, mas se ela adivinhasse,
Se pudesse ouvir o olhar,
E se um olhar lhe bastasse
P’ra saber que a estão a amar!

 Mas quem sente muito, cala;
Quem quer dizer quanto sente
Fica sem alma nem fala,
Fica só, inteiramente!

Mas se isto puder contar-lhe
O que não lhe ouso contar,
Já não terei que falar-lhe
Porque lhe estou a falar…

  • Diz a rede que é de 1928, de Fernando Pessoa…

 

 

Quando vier a primavera

 

Inspira-te com os sabores da primavera, com os cheiros, com a luz, com o calor, com o renascer, com a poesia. Inspira-te e curte mannnnn! 🙂

Como eu gostava de ter sabido interpretar este tipo de escrita quando era nova. Ter-me-ia poupado muitos ataques de ansiedade. Afinal, quando eu me for, a primavera vai continuar a nascer, a florescer, a viver e a morrer. Isso é bom.

Caeiro

Gosto do ceu porque não creio que elle seja infinito.

Que pode ter comigo o que não começa nem acaba?

Não creio no infinito, não creio na eternidade.

Crio que o espaço começa numa parte e numa parte acaba

E que agora e antes d’isso ha absolutamente nada.

Creio que o tempo tem um principio e tem um fim,

E que antes e depois d’isso não havia tempo.

Porque ha de ser isto falso? Falso é fallar de infinitos

Porque se soubessemos o que são de os podermos entender.

Não: tudo é definido, tudo é limitado, tudo é coisas.

 

[Poema inédito, sem data, transcrito por Jerónimo Pizarro.]

Gata Preta

“Amigos de verdade não sei se tenho,
Acredito na amizade verdadeira,
Mais no momento ela me falta!
Sinto saudade do que acontecia…
Conversas paralelas, discussões repentinas,
Gargalhadas gostosas, abraços apertados,
Risos sem graça, choros desesperados…
Ah, meus amigos…
Dizíamos frases feitas, mais no fundo eram mais que verdade…
Um simples: ”EU TE AMO” se tornava uma grande declaração…
Em momentos de desespero era deles, só deles o meu tempo…
Não tínhamos medo da má interpretação dos outros.
Para nós o que importa é o que sentiamos uns pelos outros…
Saudades de todos os olhares perdidos,
Porem encontrados por amigos de verdade.
Sei que com o tempo ficaremos perdidos entre si.
Quando nossos filhos perguntarem:
-Quem são essas pessoas?

Com muita saudade, porém orgulho, responderei:
-São meus velhos amigos!”
Com o tempo o contato será mais difícil
Porém em pensamentos estaremos sempre perto!”

Beatriz Brum

Pantera & Estrela

PS. Fica a foto da Pantera e da sua relação lesbiana com a Estrelinha. Não vivem uma sem a outra! Uma em casa, outra na rua, parece uma cena de teatro em que o Romeu chama a Julieta. Depois nos encontros é uma festa