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Pessoas Tóxicas

Sempre fui de gargalhada aberta e gosto de gente feliz. Gosto de gente que cria, que faz planos, que tem objectivos e segue para os concretizar… aquela coisa do “coitatinho”, do “pobrezinho”, da “auto-comiseração” cola-se na pele como a transpiração num dia de calor… tento acreditar que as pessoas são boas (apesar de continuar a somar situações que me dizem exactamente o oposto).

Como me dizia uma amiga, um pouco mais adulta mas de quem gosto pela sua frontalidade: “és um bocado inocente em acreditar que as pessoas são todas boas.”

Sou de facto, e acredito que algures, as pessoas são “todas” boas… escolhem ser quando lhes apetece, de forma egoísta e muitas vezes preferindo ser na generalidade das vezes uma valente trampa de desleixo e comportamento antissocial,  se devotam a esta mesmisse porque lhes é confortavel e porque fazem gala em ser assim. Mais do mesmo. (Nota: ser anti-social não é ser incapaz de lidar com as pessoas, é mesmo ser uma trampa de pessoa quenão sabe estar socialmente.)

Apesar desta crença quase cega, tenho ao longo dos anos criado algum afastamento em relação a alguns tipos de pessoas. Pessoas tóxicas ou difíceis, como este senhor fala. E ele tem um pensamento muito importânte que merece ser conservado. Por mais e melhores pessoas que sejamos, quando lidamos com pessoas tóxicas estas carregam-nos para baixo. A vida já é dificil o suficiente para sermos obrigados a lidar com pessoas que não nos encorajam, não nos acrescentam, não nos dão feedback ou crítica construtiva. A solução final é sempre a mesma, o afastamento.

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Publicado em Idade dos Porquês, OUTROS, Texto

Vulnerabilidade

vul·ne·ra·bi·li·da·de 

substantivo feminino

Qualidade de vulnerável.

 

Palavras relacionadas: sujeito

in Dicionário Priberam da Língua Portuguesa [em linha], 2008-2013, https://www.priberam.pt/dlpo/Vulnerabilidade .

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Pedras no caminho… acelera o passo e salta.

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É mais fácil fazer o caminho quando nos apercebemos de que na vida tudo nos é emprestado.

Incomoda-me a pessoa que não vive, que chora em lamento ou que se cala para a vida… mas daí também devo admitir que o problema é meu e só meu. Com os meus incomodos vive bem o mundo.

Trai-me a alma a falta de paixão no mundo. Desmancha-me o sorriso, a parvalheira e o embrutecimento dos corações… Vá-se perceber. Tenho medo. Pavor. Um profundo terror de me transformar em algo semelhante. Terror de um dia ser eu a ilustração ao lado do dicionário de palavras inertes.

E é tão degradante, tão triste, tão morto, viver num corpo e não sentir vida, viver com alma e não saber sonhar, carregar um coração e não saber sentir.

E passa tudo tão depressa que é inútil, despropositado… sem sentido viver desta forma.

Desde miúda que tento perceber o sentido das “coisas” e dava por mim a arrancar pilhas de relógios para perceber como conseguiria arranjar os bonecos e os motores dos carrinhos do meu irmão. A grande decepção no meio disto tudo é que as pessoas não são bonecos nem carrinhos e estão profundamente avariadas. Não existe mecânico que nos salve e os poucos de nós que tentam de alguma forma perceber o que se passa com aquele “equipamento pessoa”, partem a cabeça e não chegam a conclusão alguma.

As pessoas são complexas, divertidas, chatas, alegres e intrigantes… as pessoas “são” avariadas, profundamente avariadas. Morrem a querer viver para sempre, vivem a querer morrer na hora.

Vivem a querer controlar o que os outros fazem e pensam. Vivem a querer esconder quem são porque isso as deixa expostas, frágeis, numa situação de vulnerabilidade.

Somos todos um grupo de miseráveis poetas. Percebo o pensamento de Pessoa em Autopsicografia…

AUTOPSICOGRAFIA

O poeta é um fingidor

Finge tão completamente

Que chega a fingir que é dor

A dor que deveras sente.

 

E os que lêem o que escreve,

Na dor lida sentem bem,

Não as duas que ele teve,

Mas só a que eles não têm.

 

E assim nas calhas de roda

Gira, a entreter a razão,

Esse comboio de corda

Que se chama coração.

E não me venham dizer que guardam as pedras que encontram no caminho, porque isso é estúpido e muito pouco produtivo. A não ser que sejas calceteiro e aí já faz sentido.

 

PS. Um abraço a uma das minhas pessoas, um companheiro de viagem que perdeu o seu preto. Os homens não se medem aos palmos, mas medem-se pela capacidade de ser gente. Gente a sério. PM, Beijinho

 

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7 livros sem explicação

Aceito o desafio da Raquel Meira , durante 7 dias vou postar a capa de um livro de que gostei ou que me marcou, sem dar qualquer explicação. Por cada capa de livro irei nomear um amigo/a e desafiá-lo/a a fazer o mesmo. (Por cada dia foi nomeada uma pessoa que reapondeu com um dos seus livros.)

Dia 01

Dia 02

Dia 03

Dia 04

Dia 05

Dia 06

Dia 07

Cada um conta uma história, cada história está ligada a um momento especial da minha vida. Algumas acompanham-me ao longo do tempo e é por isso que um livro é um amigo. 🙂

Publicado em Crónica de Um dia

Os rapazes mais giros…

Os rapazes mais giros são os da minha aldeia!

Como aposto que em tempos idos, na agenda do Manuel, não falhava um bailarico à porta do fim-de-semana. E o José? O José juntava-se com o António à porta da escola a mirar aquela cachopa enquanto reunia coragem para a convidar para ir dar uma volta na sua Famel. O Ricardo esse pelava-se por uma boa noite de cartas e cerveja com o pessoal.

Não sentiram o tempo passar e hoje não percebem como ontem era dia de baile e hoje pode ser um dia sem amanhã. Tentam não pensar nisso. Já foram imortais! Já sentiram a vida toda pela frente!

Hoje sentam-se à porta da igreja no final do dia, a ver a “banda passar”, ora alegres, sorridentes, ora mais sérios, questionando o porquê do mundo, a última desgraça no correio da manhã ou o estado do Sporting.

Os rapazes da minha aldeia são os mais giros! São profunda e sinceramente uma imagem memorável de histórias de décadas. São o sorriso que via no rosto do meu avô. São o resultado de gerações apuradíssimas de “alentejanos sem travões” a viver por estas bandas.

Já vos disse que os rapazes mais giros são os da minha aldeia? E já vos disse que se sentam à porta da igreja a ver quem passa, com um sorriso escondido para a troca?

 

Aos “rapazes” de Boliqueime, Paderne e da Mexilhoeira Grande. Os mais giros.