A soma das partes. Os anos.

Ficava na pele com um gosto doce amargo de quem conta uma história que não é a sua. Velha, cansada.

Os últimos anos não foram fáceis, nem para ela, nem para mim. A pele escureceu, a vida queimou-nos e de um momento para o outro não somos o que éramos quando tínhamos 14 anos.

Depois de muitos anos, de uma vida inteira, resolvi seguir caminho sem a minha primeira tatuagem. A nossa relação não era a mesma e o desgaste era óbvio. Não seria uma questão de retoque mas sim de mudança. O fim estava perto e eu sabia-o.

Tal como da primeira vez, já tinha pensado e repensado… mas o dia certo, a hora mais adequada, permitiram acabar com este sofrimento e a minha tatuagem desapareceu para dar lugar a um estado de alma estampado.

Está enorme, maior do que pensei que seria capaz de fazer. Está negra como o carvão, mas balança e voa, ama e vive. Quase que com vida própria se assume na minha pele.

Aos 32 anos, fiz a minha segunda tatuagem. Anos antes alguém disse: “Quem faz a primeira, faz a segunda…”

E sim, doí, arde, nos dias seguintes doí mais ainda do que aqueles 50 minutos na cadeira do tatuador… Doí quase que como aviso, porque a dor sente-se na pele e na carteira.

Dentro de um par de meses visto-me de “senhora” e não sou a mesma pessoa de há 18 anos atrás.

Eu mostro-a. Depois.

Irmãos Mast

Rick e Michael Mast são dois irmãos que inspirados pela aventura e por algum atrevimento, tão genético como as suas características barbas, entraram no mundo do fabrico do chocolate.

Mais do que o doce chocolate, hoje partilho convosco o doce dos sonhos. Conheçam a história dos manos Mast. Merece os oito minutos de filme.

Agradecimento especial ao RI que partilhou este doce comigo.

Feliz Dia do Pai a todos os dignos desse nome. *

Be Bold!


Uma história – 2

– “E agora? O que queres que te diga? Perdi-me no tempo.” Comentou ele, sem perceber que encetava uma confissão.

-” Como assim, perdeste-te no tempo?”

-” Gelou-se-me a alma num pensamento enquanto caminhavas por esse corredor na minha direcção. Em segundos confrontei-me com o dia em que não te tinha e perdi-me no tempo. Perdi-me na angustia e não sei como evita-lo. Como evitar esse dia? “

Ficaram ambos no silêncio, a olhar as teclas pretas, as teclas brancas, as teclas pretas, as teclas brancas. À procura da eterna questão da fuga ao inevitável. A única certeza de ter será a de um dia perder.

Uma história – 1

Clap, clap, clap, clap… e os passos soaram no soalho de madeira, como cascos de cavalo, a trote.  O vestido esvoaçava enquanto o som se tornava mais audível.  Tão leve. Em tempos também eu caminhara assim tão leve naquele mesmo corredor. Em tempos, digo!

Ela aproxima-se, abranda o passo e pergunta-lhe num tom doce, quase em surdina:

– “Ainda aqui?”

Ele ficara com o olhar preso nas teclas. Ora nas pretas, ora nas brancas, ora na pauta, ora nas brancas, ora nas mãos. Não sabia se seria necessário reunir mais coragem para desistir, para tentar ou para esgotar forças a lutar.