O jogo MIKADO SPIEL (2011/2012)

O jogo MIKADO SPIEL :: Ensaio de Vera Lúcia Inácio

UNIVERSIDADE DO MINHO – INSTITUTO DE CIÊNCIAS SOCIAIS

ENSAIO PARA A UC DESIGN DE VIDEOJOGOS

A actividade de jogar proporciona aos seus participantes um efeito de abstracção em relação ao quotidiano, criando uma distanciação mais ou menos realista entre o momento de trabalho e o momento de lazer.

Com base no pensamento de Caillois, a actividade proporcionada pelo tradicional e antigo Mikado remete-o para a categoria de jogo por não ser uma acção com cariz produtivo, sério ou obrigar a qualquer tipo de compromisso associado à vida adulta comum. É uma actividade de lazer, sem outro objetivo.

Como qualquer outro jogo, é regido por um conjunto de regras que delimitam o seu funcionamento e regulamentam a actuação, criando os “ingredientes” para que o acto de “jogar” Mikado seja uma actividade sem desenvolvimento previsível. Geralmente e segundo a norma, no início de cada jogo, nenhum dos participantes pode ou deve conseguir prever o resultado do mesmo.

Os jogadores entregam-se ao acto de conseguir isolar uma peça única com alguma destreza, na tentativa de não mover qualquer uma das outras em mesa.

O jogo é composto por várias varetas que podem ser de madeira ou de plástico, distinguidas por cores ou riscos que as diferenciam entre si. As peças são unidas num conjunto e largadas sobre uma superfície plana para que possam cair livremente umas sobre as outras e criar assim um jogo. No decorrer de cada ronda, cada um dos jogadores deve retirar o maior número de peças à unidade sem mover as restantes.

Condicionadas pelas suas características específicas, a pontuação das varetas varia entre os 3 pontos e os 20 pontos (apenas atribuídos pela peça única que dá o nome ao jogo = Mikado).

Curiosamente o nome Mikado parece derivar de uma expressão utilizada para falar do Imperador do Japão. Por outro lado “Spiel”, expressão germânica poderá dever-se ao fato do Mikado Spiel ter surgido na Europa central nos anos 30 do século passado.

O Mikado é um jogo de sorte e alguma paciência, que permite uma jogabilidade solitária ou social com um grupo quase ilimitado de jogadores. Segundo Huizinga, citado por Caillois, o jogo é uma acção capaz de absorver o jogador, com uma acção destituída de qualquer tipo de interesse útil e material. Assim se comprova mais uma vez que o Mikado Spiel se enquadra perfeitamente na categoria de jogo, como actividade lúdica e potenciadora de momentos de relaxamento e distanciamento do pensamento de regulação e preocupação com as actividades quotidianas.

CARACTERÍSTICAS MIKADO SPIEL (BOARD GAME)

ARTE

Cores (distinguem as peças com pontuação mais alta) e Formas (definem o jogo).

MATERIAL

Plástico/Madeira

DESIGN

Apesar do seu funcionamento aparentemente fácil, o jogo acaba por obrigar os envolvidos a desenvolver um elevado estado de concentração.

Os jogadores são “obrigados” pelas exigências do jogo a planear estratégias de movimentação das peças da forma mais eficaz possível, para poderem rentabilizar o seu momento de jogada. Quanto maior for o número de oponentes, menor será a possibilidade em cada ronda de recolher mais pontos, as peças mais apetecíveis ou as varetas que exigem menor dificuldade de extracção.

AMBIENTE

Objectos manipuláveis manualmente, com regras que limitam e condicionam a sua utilização em ambiente de jogo.

REGRAS

Sim

Poucas, mas claras: “Se a peça se movimentou, o jogador passa a vez para o oponente seguinte”.

 

RECOMPENSAS E CASTIGOS

O jogador que mover uma peça que não apenas a que está a manipular, sofre uma penalização e perde a vez.

OBJECTIVOS: VITÓRIA ou DERROTA

Vence o jogador que acumular mais pontos (juntar o maior número de varetas com pontuação mais alta).

 

CLASSIFICAÇÃO DO JOGO

AGÔN – O Mikado Spiel é um jogo de competição em que os vários jogadores se defrontam como iguais e têm como objectivo final conquistar o maior número de pontos através da recolha das varetas.

O interesse deste tipo de jogo é ver no final de cada evento, o reconhecimento e consagração do vencedor, como o indivíduo com mais capacidade e destreza no desempenho da actividade.

Ao contrário dos jogos de sorte, Agôn são jogos estritamente de mérito e de oposição de habilidades e competências.

 

 

 

Caillois, Roger, (1957), Os Jogos e Os Homens, Cotovia, Lisboa

http://en.wikipedia.org/wiki/Mikado_%28game%29

Caillois, Roger, (1957), Os Jogos e Os Homens, Cotovia, Lisboa

UM TRABALHO DE VERA INACIO, PARA O MESTRADO EM MEDIA INTERATIVOS DO INSTITUTO DE CIÊNCIAS SOCIAIS DA UNIVERSIDADE DO MINHO.

A livreira Anarquista…

… faz-me lembrar aquele par de meses em que fiz parte da equipa de estágio da Worten e daquela outra vez em que trabalhei no Pingo Doce, e daquela em que trabalhei como promotora… Infinitos os desígnios da vontade e esquesitice do ser humano.

Tenho de contar uma só (vá, pode ser da Worten e a seguir vai uma do Pingo Doce para ninguém se rir):

Na Worten

A cliente entra e pergunta: -“Tem daquelas sanitas aquecidas que deitam água?”

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No Pingo Doce

A cliente a ensacar com ajuda da filha, olha pra ela e diz: – “Vês filha! Tens de estudar! Estuda, se não vens praqui trabalhar!”

Tive para lhe dizer: Boa tarde, chamo-me Vera e licenciada em Comunicação… mas vai daí estragava o sonho de pespectivar o futuro da criancinha pelos olhos da mãe, e que fazer… sou um coração mole e calei-me. Não nasci para estragar sonhos.

____

Esta Mulher, a Livreira, é inspiradora. Quem trabalha ou trabalhou com o grande público, sabe que pérolas aparecem todos os dias… O segredo não está nos cromos, está no modo como os colamos na caderneta… e esta jove, é muito boa a falar dos seus cromos. 🙂

Passem por lá… é de ir as lágrimas. No bom sentido, claro está! A Livreira Anarquista ao vosso dispor : http://livreiranarquista.tumblr.com/

“A Loja dos Suicídios”

Não sou dada a leitura de livros que envolvam temáticas como o suicídio ou auto-flagelação. Acontece que há uns dias uma colega literalmente jogou “A loja dos Suicídios” na minha secretária e disse que estava a precisar de alguma coisa para me animar.

O primeiro pensamento foi de que eu não andaria lá a causar grande impacto como ser humano. O título e o facto de ser associada ao mesmo, não me agradou, nem um pouco. Depois percebi que o livro de Jean Teulé é uma excelente comédia de humor negro, que conta a história da família Tuvache (em que o cabeça, curiosamente se chama Mishima).

Os Tuvache são os desgraçados e infelizes proprietarios de uma loja de acessórios ou ferramentas para cometer suicídio. Daí o nome da loja. Uma coisa muito à laia de Tim Burton. Não vou contar as peripécias que acontecem naquela sítio escuro e sombrio, mas deixo-vos com um teaser, o slogan do negócio:

“A sua vida foi um fracasso? Connosco, a sua morte será um sucesso!

Casa Tuvache há 10 gerações no suicídio – Loja dos suicídios.

tuvacheCada um tem o sentido de humor que têm e esta leitura está condicionada ás suas particularidades e ao espírito aberto de quem folheia o livro, de qualquer modo, na minha opinião pessoal, só pode ser qualificado de um modo: De morrer a rir.

A vida (não) é só fumaça (pah!)

Isto pode ser o mais perto que algum dia vou estar de escrever e publicar um livro. (Vá eu ajudo é a 8ª citação.) E SIM, SIM, OH SIM!!!(ler com tom de voz herbal essences.)

É O LIVRO DO BOINAS!!! Só as pitas que choram por aquelas coisas híbridas com nome de hotel em zona duvidosa é que podem estar perto de perceber a minha alegria…

Vá, podem dizer: “Andas com a mania”. Pois ando, pois ando… mas é só porque posso, por isso e porque tenho demasiado tempo livre .

Se alguém souber alguma coisa sobre as reportagens do Jantar com a Dorothy Koomson e onde posso ver a ultima edição do Cartaz Cultural da SIC (24/06), agradeço que me avisem, porque quero ver. Sinto-me o corno de serviço. Anda esta linda cútis a aparecer em revistas, programas de televisão e este lindo nome em livros e eu SOU A ÚLTIMA A SABER!

Ah, sobre o livro… bem… o que posso dizer sobre o livro… é uma reedição de “O Playboy que chora nas canções de amor”, as folhas são pretas e as letras são brancas (por esta ordem)… e como dizia Pedro Teichgraber: “não se pode julgar o livro pela contracapa, até porque, algumas vezes, as citações são  a melhor parte da obra”.

Bem eu vou alí lê-lo e já comento se concordo ou não. Mas a 8ª citação é do melhor! Um mimo! MasterPiece! GE-NI-AL!

Diz-me a Verdade Sobre o Amor

“Todos os dias, pessoas de quase todas as idades descobrem que estão apaixonadas por um colega, um amigo, um vizinho ou até por um quase desconhecido. Não passa um minuto sem que alguém se apaixone e cada um desses minutos fatídicos fica para sempre na memória do apaixonado como o momento em que tudo mudou.
É então que surgem as questões com que todos nos debatemos: o que é estar apaixonado? Será que existem diferenças no estado de paixão entre homens e mulheres? Por que motivo nos apaixonamos por uma pessoa e não por outra? Será mesmo possível curar um coração partido?
Em Diz-me a Verdade Sobre o Amor, Nuno Amado faz uma breve síntese desta recente mas apaixonada abordagem científica ao amor. Num espírito de reconciliação amorosa entre ciência e arte, são usados milhares de anos de mitos, histórias, lendas e reflexões sobre o tema para ilustrar ou complementar teorias e experiências.
De forma bastante acessível, este livro aborda um tema controverso que interessará todas as mentes curiosas e apaixonadas que querem descobrir a verdade acerca do amor.”

Esta é a sinopse do livro de Nuno Amado, retirada da Wook (sabiam que tenho um amor desmedido pela Porto Editora? Boa empresa…boa casa de livreiros… 😉 ). Continuando… é a sinopse do livro do senhor e chamou-me a atenção, até porque estou com uma neura daqui à lua e hoje era um bom dia para encostar a cabeça na almofada e sonhar com algo agradável. Se bem que a minha dúvida neste livro é: Vou ler e vou continuar a sonhar e a viver a questão na sua plenitude? Ou será um abrir da caixa de pandora e ficar a saber mais do que aquilo que queria saber!?

Penso tantas vezes para mim que a ignorância seria uma benção em tantas questões, que apesar da curiosidade, não deixo de ficar ligeiramente angustiada com a possibilidade de libertar todos os males do mundo.

Que acham amiguinhos? Compro? Não compro? Mas, quem melhor do que um senhor chamado Nuno Amado para falar de amor? lol

(Sim, ando a precisar de estórias de cavalos brancos e castelos.)

“Boa Noite meu amor”

Ler um livro da Dorothy Koomsonpeuga (coisa de gaja), para quem os conhece (gajas), é sexy como um tijolo mas ao mesmo tempo tão confortável como umas meias velhas (e ainda bem).

“Boa Noite meu amor” foi o último dos três da Dorothy Koomson que acabei de ler. Andou semanas a passear comigo, até chegar ao tal capítulo interessante, debaixo dos olhares semi-reprovadores de alguns colegas e da curiosidade de algumas amigas. 

O meu apurado sentido de justiça não me deixa ficar feliz porque tendencialmente gosto do belo do “Happy End”, coisa… da qual não vou falar porque é ler para perceber. Pelo menos no meu conceito de finais felizes, não correu pelo melhor.

Boa noite meu amor * Gata PretaTal qual J.K.Rowlling, também Koomson safou-se  melhor na primeira obra (pelo menos na primeira que li “A filha da minha melhor amiga” porque ao que sei ainda me sobram algumas traduções). Não desfaço do livro, continua a ser um livro relaxante, sobre mulheres, dramas de mulheres, pensamentos de mulheres, atitudes de mulheres e alguns homens desgraçados da vida sem saber o que fazer das ditas mulheres (como sempre). É um romance. Notoriamente, livro de gaja. Dorothy amiga, gostei do livro, não gostei do final, mas apressa a porto editora porque o título de 2010 “The Ice Cream Girls” promete. Gaja que é gaja, gosta de gelados!

 

PS. Para quem não sabe, Dorothy Koomson é uma escritora inglesa, que muitos não sabem mas é negra, tal como a Gata Preta. E se não sabiam isso, também não sabiam que é dona de um sorriso brilhante e uma escrita ternurenta  que me fez apaixonar com “A filha da minha melhor amiga”. Fica aqui a link para o espaço da Porto Editora, editora oficial das obras de Koomson em Portugal.

Amor em minúsculas

“Amor em minúsculas” é um conceito que não me era de todo desconhecido e que reforcei com a leitura do livro (que a propósito, não achei genial, é o problema de por a fasquia alta).

O “amor em minúsculas” é uma espécie de Karma, mas com resultados a pronto pagamento. De qualquer modo nenhum de nós se interessa em pagar pelos pecados ou maravilhas “Karmicas” dos nossos antepassados, digo eu!

Pois é, confunde-se com a teoria da borboleta ou com a filosofia do segredo (sobre o qual só li 4 paginas e suspeito que não preciso de ler muito mais para perceber o funcionamento da coisa).

A base consiste nos pequenos gestos do dia-a-dia, que podem levar a grandes e muitas vezes irreversíveis mudanças. Por isso, se um dia entrar um gatito na vossa casa, não corram com ele nem o atirem pela janela (como conheço algumas pessoas que o fizeram)… quem sabe não será ele a vossa próxima mascote da sorte?!

 

PS. Outro assunto totalmente diferente: Ana Free, vai estar no Cine-teatro S.Pedro no dia 16 de Outubro, pelas 21h00 (informação retirada do boletim de actividades da  C.M. Abrantes ).

A sombra do vento

“Numa ocasião perguntei-lhe em quem se inspiravapara criar as suas personagens e ele respondeu-me que em ninguém. Que todas as suas personagens eram ele próprio.”

Em “A Sombra do Vento”
de Carlos Ruiz Zafon

 

Quantas vezes as personagens das nossas histórias não são mais do que criações nascidas de nós mesmos?

Hoje: Já começo a sentir o Outono a bater a porta, mesmo que quente. Tic-Tac-tic-tac…

A última aula, de Pausch (II)

the last lecture

Pausch acabou por deixar mais com a sua última aula do que aquilo que possa ser quantificado ou até mesmo qualificado. É muito difícil, se não impossível explicar por palavras. Bem, temos a sorte de viver no século XXI e existir uma coisa chamada youtube (que ao contrário do que eu pensava, aceita filmes de hora e meia e ainda bem).

Então aqui fica a última aula de Pausch, um ser humano admirável.

 

A última aula, de Pausch (I)

Randy Pausch, professor universitário, deu a sua “última aula” aos 46 anos, sofria de cancro no pâncreas. Em Setembro de 2007, a sua última aula/palestra tinha como título “conquistar os nossos sonhos de infância”.

Se por um lado este livro me leva a questionar muitas das opções que tomei sozinha (quase todas) ao longo destes anos, também me deixa a pensar em tudo aquilo que declinei ou ignorei, partindo do pressuposto de que nunca seria capaz de tamanha façanha.

E aqui estou eu a ler a história de um homem que queria viver, mais do que tudo, para continuar a partilhar uma vida com a mulher dos seus sonhos e ver os seus três filhos crescerem.

Um ser humano que acreditava que um peluche gigante numa feira era sinal de status, no entanto pôr um descapotável amolgado a reparar era totalmente desnecessário (já que o mesmo continuava a cumprir aquilo para que fora concebido –transporte de sítio A para sítio B).

“Não podemos escolher as cartas que nos são distribuídas, a nossa liberdade reside em saber jogá-las”

R.P.