Publicado em Conversas

Como correu?

Nos últimos dias, das poucas vezes que saio de casa (e a correr para voltar as funções de “vaca leiteira”), sucede-se a repetição de uma pergunta: “Como correu?”

Ora bem, é tudo uma questão de perspectiva, mas em prol da continuidade da raça humana, prefiro sempre responder com outra pergunta antes de desenhar “como correu”: “Já teve filhos?” – pergunto eu.

No caso da resposta ser negativa, adio a conversa para daí a uns anos. Ver o ar intrigado, confuso (e talvez alerta) da pessoa, reconforta-me, na certeza que a não traumatizei. O mundo precisa de bebés e de histórias fofinhas.

By the way…  A I. ficou hoje toda a noite na caminha dela. Um marco histórico que me faz rebentar de orgulho da minha boneca.
10ps. Se me arrependo? Nem por um minuto ❤

Anúncios
Publicado em Conversas

Piada de Portuga

Já há algum tempo que convivo amigavelmente com brasileiros e com o conceito da “piada de português”, embora os meus amigos e conhecidos me poupem.

Não tenho preconceito sobre o povo brasileiro, leia-se, pelo menos não tenho preconceito a um nível diferente do que possa desenvolver sobre o meu próprio povo.

Sobre as piadas de portugueses, deixem que vos elucide: em Portugal RARAMENTE se faz qualquer tipo de piada fabricada de brasileiro, até porque temos Inglaterra, França e Espanha aqui ao lado. Recordo-me frequentemente do tempo de intercâmbio e da quantidade de vezes que os colegas me tentaram esmifrar uma piada portuguesa sobre brasileiros. Não contei porque não conheço nenhuma. Já piadas de nuestros hermanos…

A sério pessoal do Brasil que navega nessa web, aqui a malta da padaria, o portuga “menos esperto”, apenas pode garantir que gente do bem e gente menos simpática existe em todo o lado, mas o nosso engasgamento humoristico cultural sempre foi com os Espanhóis e com os nossos alentejanos.

Sobre os brasileiros o único constrangimento são mesmo essa espécie que se multiplica como cogumelos – a piriguete. Temos muitas importadas daí, mas com a gracinha da globalização e do descuro pela educação em prol do rimel e do silicone, também começamos a ser terra fértil na criação dessa espécie (basta passar perto das escolas).

Nota: Piada de Brasileiro, só adaptada (quer confirmar? google). Tenho de ir ali fazer pão porque já tou ouvindo o Ricardão me chamando de “bota de elástico”.

Be nice que amanhã é 25 de Abril 2013

Osculos  desta arraçada de espanhol companheira de um brazuca.

Publicado em Conversas

Conversas de Casamento 01

Ela: More… more… queres casar comigo?

Ele: Sim…

Ela: More, more… mas continuas com aquela ideia do porco no espeto?

Ele: Sim. E uma cascata de presunto… um churrasco… assim uma coisa mediterrânica.

Ela: Sim… perfeito… o único inconveniente seria a noiva não comer carne.

Publicado em As Causas, Conversas, OUTROS

Uma semana (Após o Adeus)

Na televisão passava um programa típico de sábado em que uma figura pública entrevista a outra. A rapariga, dos seus 30 e tal anos, falava sobre o fim de vida do avô e sobre as saudades que isso lhe causava… Lembrei-me do meu avô António e da falta que me faz o seu sorriso e saber do seu amor pelos netos. Lembrei-me ao longe da minha avó. Nunca pensei ser possivel perder alguém para a morte ainda em vida.

__

Foi no passado verão quando a fui visitar ao lar. Procurei a D.Rosa, para saber se a Palminha estava acordada. A medicação já me havia afastado dela imensas vezes e haviam passado mais de 6 meses desde que lancei o alerta de pânico… bem mais… Dada a distância, tinha notícias pelo meu Pai.

Senti-me cobarde. Todos os dias pensava nela, todos. A moldura da sua fotografia fez parte da primeira leva de roupas e mobílias para a minha casa… Todos os dias a via, todos os dias me recordo.

Vi-a surgir no quintal, perto de alguns velhotes que me observavam à distância e demorei alguns segundos a reconhecer aquela que foi o pilar, que criou, apoiou e do seu jeito mimou os que amou. Demorei alguns segundos a segurar os joelhos e a evitar descair num choro desamparado… Apeteceu-me chorar como um animal ferido até esgotar a dor. Ela sai e olha através de mim, num andar a passos juntos, passinhos que só posso comparar ao andar sincronizado de um pinguim, mas sem a imagem composta deste. Estava assustadoramente magra e havia perdido o brilho ao fundo dos olhos. Tive esperança. Perguntei-lhe se se lembrava de mim (a neta, a única menina, a menina dos seus olhos – a pergunta por si só já respondia ao que eu mais temia). Respondeu num palavriado atabalhoado um nome que começava ou tinha algures pelo meio um “L”. Segurei as lágrimas e tratei de olhar bem para ela.

Estava uma senhora muito mais nova ao lado que entretanto ficou curiosa e me perguntou: “É familiar?”

Ao que a minha avó responde sem meias medidas:”Não!”

Poucas coisas na vida me partiram o coração como este momento, e a memória por si só é tão dolorosa que continuo a tentar lê-la como se fosse a história de outra pessoa. À senhora que estava naquele dia de Verão ao lado da minha avó, da minha princesa, respondi que era neta. Senti-a triste por nós e pela minha perda. Eu já não existia na vida de uma das pessoas mais importantes da minha vida.

__

Estava a terminar de escrever algumas coisas online antes de sair para o voluntariado, enquanto pelo canto do olho olhava a rapariga que falava na tv. O telemóvel toca e pensei não atender porque estava com pouco tempo. No momento seguinte veio-me à memória a imagem do meu Pai e da minha Avó e aí soube que algo estava errado. Atendi a perguntar por ela e a demora de um silêncio engasgado respondeu-me antes das palavras.

Hoje dia 18 de Fevereiro, faz uma semana desde que se apagou a última luz no corpo daquela que foi um dia a minha avó. Foi um luto prolongado que alguns de nós fizeram após o avançar galopante da doença.

Se em algum lado me estiveres a ver, espero que saibas que fiz o que me ensinaste e que lamento a tua ausência e o não conheceres o teu neto e os teus (ainda por vir) bisnetos, com mais prejuízo para o ser limitado e egoísta que sou, do que para ti que ao final destes anos encontraste paz.

Até um dia destes.

Publicado em Conversas

Eu e os Carros… (leram o título? podem rir!)

Na Oficina:

– Vá amigo, tá aqui o carro. Sirva-se!

(Eis que o senhor me apresenta o carro de substituição: uma Pegeot! SIM UMA CARRINHA! Ou carro famíliar, como queiram chamar!)

– Você liga aqui, desliga alí… os bancos são assim…. ….

– Hmm.. eu sei ligar e desligar… Estou a olhar para si com esta cara porque acho que o senhor não percebeu o porquê de eu conduzir um carro que é metade deste… e que por algum motivo tem a tinta raspada na trazeira!

– (cara de pânico)

– Bem! A sorte é que os senhores são mecânicos e também pintam carros. Fico com ele até quando?

– (Gelo) Quinta…

– Ah Corajoso! Como é que se chama? É bom saber o nome do dono do carro!

(Nunca gostei de enganar ninguém.)