Publicado em OUTROS

Pessoas Tóxicas

Sempre fui de gargalhada aberta e gosto de gente feliz. Gosto de gente que cria, que faz planos, que tem objectivos e segue para os concretizar… aquela coisa do “coitatinho”, do “pobrezinho”, da “auto-comiseração” cola-se na pele como a transpiração num dia de calor… tento acreditar que as pessoas são boas (apesar de continuar a somar situações que me dizem exactamente o oposto).

Como me dizia uma amiga, um pouco mais adulta mas de quem gosto pela sua frontalidade: “és um bocado inocente em acreditar que as pessoas são todas boas.”

Sou de facto, e acredito que algures, as pessoas são “todas” boas… escolhem ser quando lhes apetece, de forma egoísta e muitas vezes preferindo ser na generalidade das vezes uma valente trampa de desleixo e comportamento antissocial,  se devotam a esta mesmisse porque lhes é confortavel e porque fazem gala em ser assim. Mais do mesmo. (Nota: ser anti-social não é ser incapaz de lidar com as pessoas, é mesmo ser uma trampa de pessoa quenão sabe estar socialmente.)

Apesar desta crença quase cega, tenho ao longo dos anos criado algum afastamento em relação a alguns tipos de pessoas. Pessoas tóxicas ou difíceis, como este senhor fala. E ele tem um pensamento muito importânte que merece ser conservado. Por mais e melhores pessoas que sejamos, quando lidamos com pessoas tóxicas estas carregam-nos para baixo. A vida já é dificil o suficiente para sermos obrigados a lidar com pessoas que não nos encorajam, não nos acrescentam, não nos dão feedback ou crítica construtiva. A solução final é sempre a mesma, o afastamento.

Anúncios
Publicado em Idade dos Porquês, OUTROS, Texto

Vulnerabilidade

vul·ne·ra·bi·li·da·de 

substantivo feminino

Qualidade de vulnerável.

 

Palavras relacionadas: sujeito

in Dicionário Priberam da Língua Portuguesa [em linha], 2008-2013, https://www.priberam.pt/dlpo/Vulnerabilidade .

Continue reading “Vulnerabilidade”

Publicado em OUTROS

Agosto, em contagem decrescente

Não interessa se vives em Portugal, França, Reino Unido… É absolutamente indiferente.

Se nas tuas férias tratas mal quem te atende (muitas vezes de forma gratuita ou por problemas menores), se jogas lixo para o chão porque não tens um saco ou espaço no carro para colocar aquela embalagem de iogurte que o miúdo comeu, se te jogas para as rotundas sem olhar em redor, não respeitas passadeiras, insultas as pessoas…

És um idiota. Repito, és um idiota! Milhares de pessoas a desejar ter férias num sitio quente e com praia e tu vens para um algarve onde o custo de vida é alto para ti e para os que cá vivem (com a diferença que nós não temos o teu ordenado de Lisboa ou de Inglaterra), vens mal educado(a), totalmente contrariado e miserável, sem disposição para relaxar, a stressar e esgotar quem cá está. És um idiota. É o lixo na berma da estrada (que mal cheguem as primeiras chuvaa vai para o campo e mar), é o estacionamento no meio da rua ou a o ocupar dois lugares do parque. É aquele comentário desagradável na multidão porque a menina do bar está mais demorada…

Estás de ferias! Para o ano estas cá de novo, que tal começar a respeitar as pessoas?

Está calor! Pede um copo e relaxa!

A todos os outros que não se esquecem que quem cá vive não nasceu serviçal e tem uma vida… A todos os outros que usam “bom dia”, “obrigado”, “como tem passado”… A todos esses desejo umas boas férias e lamento o meu desabafo, mas o Algarve também é residência de alguns.

Publicado em Idade dos Porquês, Opinião, OUTROS, Texto

Pedras no caminho… acelera o passo e salta.

cat-3059078_960_720

É mais fácil fazer o caminho quando nos apercebemos de que na vida tudo nos é emprestado.

Incomoda-me a pessoa que não vive, que chora em lamento ou que se cala para a vida… mas daí também devo admitir que o problema é meu e só meu. Com os meus incomodos vive bem o mundo.

Trai-me a alma a falta de paixão no mundo. Desmancha-me o sorriso, a parvalheira e o embrutecimento dos corações… Vá-se perceber. Tenho medo. Pavor. Um profundo terror de me transformar em algo semelhante. Terror de um dia ser eu a ilustração ao lado do dicionário de palavras inertes.

E é tão degradante, tão triste, tão morto, viver num corpo e não sentir vida, viver com alma e não saber sonhar, carregar um coração e não saber sentir.

E passa tudo tão depressa que é inútil, despropositado… sem sentido viver desta forma.

Desde miúda que tento perceber o sentido das “coisas” e dava por mim a arrancar pilhas de relógios para perceber como conseguiria arranjar os bonecos e os motores dos carrinhos do meu irmão. A grande decepção no meio disto tudo é que as pessoas não são bonecos nem carrinhos e estão profundamente avariadas. Não existe mecânico que nos salve e os poucos de nós que tentam de alguma forma perceber o que se passa com aquele “equipamento pessoa”, partem a cabeça e não chegam a conclusão alguma.

As pessoas são complexas, divertidas, chatas, alegres e intrigantes… as pessoas “são” avariadas, profundamente avariadas. Morrem a querer viver para sempre, vivem a querer morrer na hora.

Vivem a querer controlar o que os outros fazem e pensam. Vivem a querer esconder quem são porque isso as deixa expostas, frágeis, numa situação de vulnerabilidade.

Somos todos um grupo de miseráveis poetas. Percebo o pensamento de Pessoa em Autopsicografia…

AUTOPSICOGRAFIA

O poeta é um fingidor

Finge tão completamente

Que chega a fingir que é dor

A dor que deveras sente.

 

E os que lêem o que escreve,

Na dor lida sentem bem,

Não as duas que ele teve,

Mas só a que eles não têm.

 

E assim nas calhas de roda

Gira, a entreter a razão,

Esse comboio de corda

Que se chama coração.

E não me venham dizer que guardam as pedras que encontram no caminho, porque isso é estúpido e muito pouco produtivo. A não ser que sejas calceteiro e aí já faz sentido.

 

PS. Um abraço a uma das minhas pessoas, um companheiro de viagem que perdeu o seu preto. Os homens não se medem aos palmos, mas medem-se pela capacidade de ser gente. Gente a sério. PM, Beijinho

 

Publicado em OUTROS

“Queria ser jornalista de guerra”

Um dia achei que queria ser jornalista de guerra. No final do secundário geria um pequeno jornal de parede na Agostinho Roseta em Faro.

Gostava de escrever, queria viajar e conhecer novas culturas e contextos sociais diferentes, queria viver no fio da navalha… (Sabe de nada inocente…)

Pouco tempo depois de começar o curso em comunicação social, apercebi-me que me destacava dos meus colegas não pelo brilhantismo jornalistico, mas pelo meu interesse em estar envolvida em tudo o que era actividade extra currícular… nos primeiros 3 anos de faculdade, a única associação de que não fiz parte era exclusiva dos cursos de engenharia… Foi assim que acabei a realizar estágio no saudoso “Primeira Linha”, de Abrantes. Pelas mãos do então director fiz a minha primeira capa, o único artigo que recordarei com um gosto amargo e doce. Apesar de ter continuado a escrever e de ter colecionado os meus pequenos sucessos, pouco tempo depois decidi que a comunicação empresarial seria mais simpática… especialmente no despertar dos “digitais”.

Não me enganei. Hoje seria uma péssima jornalista com fraco estômago para assistir ao sofrimento de terceiros.

Decisões… algumas certas, outras nem tanto.

Para quem possa ter curiosidade, o artigo foi o que se encontra partilhado no blog “Por Abrantes”, abaixo linkado.

https://porabrantes.blogs.sapo.pt/o-centenario-da-cidade-em-crimes-3-2668599