Publicado em As Causas, OUTROS

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Imagem Pinterest – Black cat on a rainy day

Quando acordei, chovia. Chovia como se o céu se estivesse a abater sobre terras do Infante. A enviesada rua em declive que mais se assemelhava a um rio, estava emoldurada por um azul escuro a pender para o cinzento, do qual não consigo distinguir o céu e as nuvens.

O tempo acordou comigo. Foi simpático. Ao final de algumas semanas sem sentir companhia, ei-lo, e um silêncio diferente, quando a cabeça não quer recuperar a rotina dos seres normais. Estou acostumada à falta de normalidade e ao excesso de barulho interno. Talvez por isso seja mais pragmática. Talvez por isso me obrigue a sair quando tudo me diz e faz sentir que não o quero fazer.

De fora olham para mim e dizem: “Tem calma.”, “Com tempo”, “Vai correr tudo bem”…

E eu não falo, não quero falar, não quero discutir, não consigo. O tempo veio hoje sentar-se a meu lado com o seu silêncio barulhento. Não me pergunta. Não me obriga. Não me pressiona nem acusa. Não grita comigo nem me faz sentir a culpa do ser e não ser. Não quer que me sinta mal só por respirar.

Limitou-se a ficar. Sentado. Ao meu lado.

Quanto tempo, quanta calma, quantos “botõezinhos” pela manhã para empurrar a realidade, quantos ao anoitecer para calar as ideias.

Hoje o tempo acordou comigo e ajudou-me a subir mais um degrau.

Obrigada.

 

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Autor:

Eu sou a Vera e tive uma grande amiga que entretanto foi para o céu dos gatos... A ela seguiu-se a Siamesa... agora tenho um casal de pretos e uma tricolor louca que devora decorações de natal e fitas. Como sou criativa, a minha pegada digital começou em finais dos anos 90, ainda o upload de material era um terror e o "Terravista" um Sucesso. Gosto de novas tecnologias em particular de redes sociais. Sou caótica, desconheço o conceito de timming. Não como caracóis, carne e/ou favas. Não faço despedidas.