Gravidez não é doença… doença é a parvoíce em torno da gravidez.

Adoro a convicção com que é cuspida a maior treta de todos os tempos em relação ao conhecimento geral sobre como funcionam as grávidas. Adoro com profunda admiração sobre a lata que têm todas aquelas pessoas que nunca engravidaram, em particular alguns homens, ao pronunciarem convictos da sua verdade de que “gravidez não é doença”!

Gravidez não é doença pois não, gravidez para algumas sortudas é apenas o crescer da barriga, o estalar da pele (que por mais quilos de creme que se ponha, estala na mesma em alguma parte), é o passar alguns meses enjoada, mas depois passa… para a azia. Para as mais sortudas é ter algum desconforto a dormir, acordar com olheiras e passar o dia a ouvir piadinhas sobre o óbvio cansaço no rosto. É ter algumas dores de costas, cu e bacia.

Para as menos sortudas é ter uma gripe, uma intoxicação alimentar, é vomitar até deixar de sentir as entranhas, sempre com o pânico de prejudicar aquele pequeno ser em fabricação. Para as menos sortudas, é ter dores de cabeça horríveis sem poder tomar mais do que paracetamol quando os níveis de sangue aumentam, é ter diabetes sabe-se lá porquê, anemia, alergia ao ferro, é ver as pernas inchar como se fosse um peixe balão.

pé

É mais para o final é não poder dobrar-se para cortar as unhas ou chegar à conclusão que do aspecto físico da vagina resta apenas uma ténue memória.

Ainda assim e depois disto tudo, gravidez não é doença quando na fila do supermercado metade dos “decentes” clientes faz de conta que não vê a “prenha”, para não lhes dar o peso na consciência de ter de ceder 5 minutos do seu tempo e dar prioridade à dita cuja. É ouvir como conta a minha amiga C. (cuja filhota nasceu hoje, os meus parabéns e felicidades), que enquanto estava na fila do supermercado e já na caixa prioritária um “senhor” diz lá do fundo para a esposa:” Tens de engolir uma melancia para ter prioridade!”… Ao que a minha amiga acabou por responder, abreviando (e trocando algumas palavras):” Não se preocupe, esta caixa é para idosos, grávidas e pessoas com atraso mental!”.

É ir a um centro de saúde onde o atendimento prioritário não existe porque há sempre alguém que está muito mal entre gemidos e queixumes… mas não vai as urgências (nem toma banho).

Fica aqui a partilha da ACB (obrigada querida), sobre o maravilhoso e simpático mundo das grávidas em Portugal. Porque há sempre mais um comentário ao virar da esquina. [AQUI.Créditos TVI]

Já me disseram que vou ter saudades “disto”.

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