Futebol

Debaixo de um título com a palavra futebol permite-se tudo. Desejar a morte, insultar a mãe, insultar o pai, o primo o avô e o cão até à quinta geração.

O Futebol incomoda-me como qualquer outro fanatismo doentio. Incomoda-me porque entra no meu espaço pessoal, no meu sentimento de segurança física, no agradável do meu espaço online. Incomoda-me como ver imagens de animais mal tratados, mas até para esses há esperança. Não visito “sites da bola”. Detesto. Sinto que me é sugada a energia positiva da mesma forma que me é sugada quando recebo uma carta das finanças. Não preciso visitar sites da bola, basta conviver com pessoas ou ter pessoas nas redes sociais, para ler um chorrilho de insultos, onde até a alma mais sensata mostra os seus limites (ultrapassados) de bom senso.

No fundo sinto-me triste, atraiçoada, por em tempos ter gostado de seguir alguns jogos de futebol.  Era miúda e gostava da euforia dos jogos, da alegria, da emoção, da energia positiva que emanava de um jogo de futebol. Gostava genuinamente. Do Benfica e do Sporting decorei alguns nomes, seguia os jogos e sentia a euforia.

Hoje incomoda-me a facilidade como se deseja a “morte do gatinho”, a “luz a arder”, como se sujam as paredes dos clubes com tinta rasca, como se pega fogo a cachecóis. Incomoda-me como até um jogo a porta de uma loja de venda de tv por cabo, leve as pessoas a insultar os funcionários – como se isso fosse uma atitude normal e corriqueira. Entristece-me ver pessoas por quem sinto algum respeito a dar-se, a prestar-se a figuras e desejar morte online. Debaixo de um título com a palavra futebol, permite-se tudo.

 

Advertisements