Depois do 2º resgate

resgateNão são dois, nem três, nem quatro nem cinco, os amigos que vejo partir. Entristece-me a falta de respeito por toda uma geração. Acusam-nos de sermos super-protegidos por termos nascido nos anos 70, 80 e 90, no entanto quem gastou, comprou e se endividou não fomos nós. No entanto, a verdade é que somos nós e os nossos filhos que por aí começam a surgir, que vão pagar a dívida. Alta. Seca. Dura… das casas, dos carros, das férias dos gastadores. Das grandes e idiotas obras…

Não são ois, nem três, nem quatro nem cinco, os amigos que vejo partir. A Maria José foi para França, foi das primeiras e era uma das melhores alunas da turma, mas lá nas franças “não reconhecem” a brilhante jornalista. A Isabel rumou para o outro lado do mundo, está na Austrália a viver pertinho dos kangurus mas sem ver os filhos dos amigos crescer ou a família, vai para 2 anos. O Tiago foi dar aulas para uma Universidade na Turquia – sim porque por cá pelos vistos não precisamos de professores qualificados, de académicos – Portugal tem tudo isso, é super inteligente e não precisa, por isso mandamos os nossos mais inteligentes ensinar lá fora, um luxo – mas não foi ele que escolher, fomos nós. A Estefânia foi para a terra do chocolate e dos relógios, perdemos uma engenheira. O Sandro foi meu colega no básico, fiquei a saber que está quase Londrino.O André também é vizinho do Sandro – não se conhecem, mas eu conheci-os aos dois ainda mal me conhecia a mim como gente. Podia continuar aqui o resto da noite que nem saí dos nascidos nos anos 80…

A maioria destas pessoas são pessoas com quem não falo frequentemente, mas são pessoas de quem gosto, por quem tenho um carinho especial, que sempre tive como pessoas inteligentes. Todas estas pessoas sairam de Portugal porque lhes cortaram as asas e porque chegou a altura de dar um murro na mesa e dizer “Chega”.

Tenho-me como uma pessoa resistente mas não como acomodada e um dia… pobre mesa.

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