Latidos, lambidelas e os outros…


ADOPTAR

Ainda há uns dias falava com uma colega de trabalho sobre o respeito que tenho àquelas pessoas que não têm animais porque sabem que os bichos precisam de atenção, alimentação, cuidados e carinho.

Quem gosta de animais e tem condições para os adoptar deve manter presente a responsabilidade que é ser o “tutor” de mais uma vida. Deixamos de ter o direito de sair de casa durante dias sem qualquer preocupação, deixamos de poder dormir até meio da tarde e comer qualquer porcaria que apareça no frigorífico, porque para além de nós, existe mais um animal que precisa de cuidados e não pode ser descartado.

Ah… mas nada paga a festa que eles fazem ao chegar a casa, os miados traquinhas, as corridas, as surpresas no roupeiro, os latidos, as lambidelas…

 

SER ACTIVISTA

O activista dos direitos dos animais informa-se, zela pela saúde e bem-estar dos mesmos e da comunidade. O Activista procura no dia-a-dia ter uma atitude consistente com os seus valores, e entre outros, não usa produtos que possam ter provocado dor ou sofrimento em animais (e a lista é vasta).

Não é por soltar um animal, não é por resgatar 2, 3, 4, 90 animais de um canil que vamos ser mais activistas. Se os animais não ficam em segurança, protegidos, ao cuidado de alguém RESPONSÁVEL, continuarão a correr riscos de contrair doenças, de sofrer, de mais cedo ou mais tarde voltar para uma cela fria.

Um cão na rua é um cão condenado a uma vida miserável. Pode ser atropelado, adoecer, ser mal tratado por transeuntes, magoar-se quando procura comida no lixo e nessas situações, são poucas as pessoas que se movem para o ajudar…

 

SER VOLUNTÁRIO

O voluntário compromete-se a ter um trabalho ao qual irá comparecer. O voluntariado abdica de vontade própria “de tardes no café, saidas com os amigos e outras festarolas, por comprometimento com a causa que defende. Ser voluntário é sempre uma atitude de enriquecimento pessoal e no meu caso, ajuda-me a ficar de consciência mais tranquila. Dei o que tinha e um pouquinho mais para os fazer felizes.

 

SER FAT (Família de Acolhimento Temporário)

É de longe das tarefas mais dificeis que existem. Ajudamos um e logo a seguir queremos ajudar outro e outro e mais um, e sabemos que em casa só cabe esse primeiro… pelo menos até encontrar um lar definitivo. A FAT acarinha, alimenta e tenta dar ao pequeno a casa que muitas vezes nunca teve. É um trabalho fantástico, muito bonito, e só lamento não o ter começado a fazer antes. É um TRABALHO, com letras grandes. Tira-nos horas de sono, obriga-nos a uma atenção constante porque nem todos os animais são iguais. No final, aquele miado vale tudo. No final, sabemos que vai abandonar-nos e temos toda a responsabilidade em assegurar que seja para melhor.

 

AS REDES SOCIAIS

E há os que divulgam, passam a palavra, apelam a novos adoptantes, tentam salvar animais… Depois há os outros…

Por mais do que uma vez assisti nas redes sociais a actividades a aglomerados de pessoas que mais não fazem do que semear a confusão ou lamentar-se e questionar realidades que não conhecem pessoalmente.

É fácil ser uma geração à rasca depois de enviar 4 cvs e continuar desempregado (eu cheguei a enviar 50 por mês). É fácil ser militante e activista e não perder a paciência a ser FAT de um cão/gato perturbado por maus tratos, por ter vivido demasiado tempo em ambiente inóspito.  É tão fácil ter um cãozinho de raça com pedigree e mais não sei o quê, que faz chichi na rua, que é educado e mimoso… o difícil é tirar carraças de um animal que foi apanhado na rua e cujos olhos desaparecem entre os bichos. É difícil agarrar e acarinhar um gato assustado depois deste nos enterrar as unhas nos braços (e de as marcas serem visíveis a olho nu uma semana depois). Difícil é limpar os olhos a um cão doente e saber que nós próprios podemos apanhar essa doença, e ainda assim ajudar o bicho… difícil é chegar a casa a cheirar a fezes. Difícil é ver questionado o trabalho de colegas que dedicam horas, dias, anos das suas vidas a ajudar quem não se pode ajudar sozinho …

As vezes o difícil é continuar a andar neste mundo de cabeça erguida enquanto uns destroem o que outros com tanto esforço e dedicação constroem. Se realmente se preocupam, se realmente querem bem, ajudem! Larguem o facebook e as redes sociais e metam a mão na massa! Existem muitos animais abandonados, muitas associações a precisar de mais um par de mãos, muita fome neste país (de animais, de pessoas e de valores)…

Bem haja a todos os que tiram os glúteos do sofá.

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