PANcadaria

Pancadaria

Assisti com tranquilidade aos variados remoques feitos em tempos recentes ao Partido pelos Animais e pela Natureza (PAN), após os seus cerca de 60 mil votos nas últimas eleições – as primeiras a que o PAN se candidatou. Já os esperava, em particular dos cronistas armados ao engraçado e dos engraçadinhos armados em cronistas.

Pouco importa a este colectivo de sapientes que o partido tenha nascido somente em Janeiro, nada lhes interessa o resultado histórico que quase garantiu um deputado por Lisboa ou até o simples facto, facilmente verificável, de o PAN ter apresentado um programa político meticuloso, pluralista e transversal. Só lhes diz respeito o sôfrego egoísta pelo próximo tema com o qual desperdiçar caracteres e, bastas vezes, carácter. E como em Portugal o respeitinho ainda continua a ser bonito, não há melhor alvo que o alvo fácil.

Num país verdadeiramente civilizado celebrar-se-ia a iniciativa, o incrível que foi conseguir tal resultado com fundos de campanha a rondar os 8 mil euros ou a frescura democrática que levou o PAN a disputar taco a taco com o histórico PCTP/MRPP o lugar de primeiro entre os chamados pequenos partidos numa nação tão habituada/desgastada pelos suspeitos do costume. Em Portugal o desporto rei não é o futebol mas sim bater no ceguinho, e – para adicionar requinte ao sadismo – quanto mais pequeno for, melhor.

Por Luís Filipe Borges

Anúncios