recebidos…

Tudo a correr, desde manhã até… sabe-se lá! Tudo, tudo a correr. O carro, as chaves, a mala… ah o bilhete que já me esquecia do bilhete. Volto dentro de dois dias! Esqueci-me de dizer adeus á .., e ao…, e a…, e a … ora bolas.

Autocarro, encontrar a posição mais confortável e fechar os olhos. Só voltar a abri-los para contemplar o fantástico postal que é Lisboa e o Tejo à noite. Meu deus, é lindo! É lindo e remonta-me a uma série de acontecimentos agradáveis. Já emoldurei muitos acontecimentos felizes da minha vida com as luzes daquela Lisboa adormecida.

A imagem é sempre a mesma. Acrescem ao longo dos anos às malas, os gadget’s dos novos empresários e dos novos pseudo-estudantes passeadores de portáteis, mas fora isso, o ambiente é o mesmo. O excesso de entusiasmo pelo reencontro de figuras queridas é recortado pela presunção de alguns. Quase que lhes consigo ouvir o pensamento: “Sou universitário, alto aí!” Quase que sinto pena de os ver dirigirem-se para o abate… boa parte vai lá só para isso, para ser decorativo e mais uma peça do talho. Não trazem ideias, não pensam  e há até quem nem saiba ao que vai. Talho.

Mais um, volto a entrar, procurar posição confortável que já falta pouco tempo.. pouco? O suficiente para fechar e abrir os olhos de novo.

Telefone.

“Sim? Já chegaste?”

“Não. Ainda nem passei TN!”

“Hmm… o X ia buscar-te….”

“Pois… oh pah já aviso…”

Soa tão bem. Parece que estou a chegar a casa… Alguém vai estar lá, de facto. Não porque está de passagem, não porque sequer o tenha pedido, mas porque estou de volta.

O autocarro está quase a chegar ao destino, o telefone toca e o caos… nem sei se saiu mais alguém comigo. Malas no chão, saco para o lado, rostos familiares, abraços apertados e a uma filha da mãe de uma adrenalina inexplicável.

É como se a viajem tivesse durado vinte minutos e ainda ontem tudo era aqui, assim, sem mais nem menos nem senão nem porquê.

Quem tenha uma veia minimamente romântica, por mais pequenina que seja, em dada altura da vida da por si a ler um livro, ver um filme, ouvir uma história e a pensar: “Na vida real isso não acontece…”

Ah meus amigos! Na vida real também acontecem coisas estupendas!

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