Pensava hoje, durante o caminho, na inutilidade do evitar sonhar. Uns dias são bons, outros mais ou menos, mas não estou de todo em casa, e não é preciso ser-se muito inteligente para perceber isso. A minha melhor amiga sempre fez apostas sobre o tempo que iria aguentar no meu “regresso ao passado”. Já bati a pontos, por 10 meses, e ainda assim continuo deslocada, com dificuldades em passar a palavra e muitas vezes em chegar as pessoas. As pessoas de cá são diferentes. Não que sejam melhores ou piores do que as pessoas do resto do país, mas sinto-as num constante pânico e necessidade de se protegerem umas das outras. O que convínhamos, a mim também me deixa desconfortável.
Estou a transformar-me numa pessoa pouco assertiva, menos feliz do que aquilo que acho que sou capaz e poderei de facto ser, e não gosto disso.
O Algarve sempre foi para mim um daqueles namoros em que não somos felizes, mas que insistimos em prolongar porque no fundo, até gostamos dele, mas de bem, faz pouco. É uma relação estranha e complexa. O Algarve, geográfico, natural, areias e praias, campos e pinhais, faz-me feliz, se tiver com quem o partilhar. Tudo o resto, parece um mundo onde tenho dificuldade em me encaixar.
Sinto saudades de sair a rua, andar 20 minutos e cumprimentar os comerciantes da cidade, o dono do tasco, sentar-me no café e conhecer quase todos os “habituês” da casa. Aqui nunca nada é igual, e a rotina confortável não se me aparece, não consigo construir.
Desculpa Algarve, amo-te mas não me fazes feliz.

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