Post sem título porque não sei que título lhe dar!

Este pode ser o post mais intimista que escrevo nos últimos anos, por isso aproveitem.

Invariavelmente as últimas conversas entre amigas vão bater a um assunto mais sério, que acusa o peso dos anos. O assunto da “tia fixe”.

Tia fixe! Nunca pensei em mim como tia de alguém! Não que não tenha irmãos, porque os tenho. De sangue, emprestados, do coração, verdade seja dita o que não me faltam são irmãos. Divago algumas vezes sobre o assunto, à laia de brincadeira, de resto, como faço com tudo. Digo que daqui a uns anos, vou ser eu a ir buscar os filhos delas e deles para ir dar uma volta a rua dos bares ou que vou ser eu a tia doida do Algarve onde eles podem vir passar umas férias com os amigos.

Verdade seja dita, nunca tirei tempo para pensar em mim e nas minhas companheiras de batalha, nos meus amigos mais antigos, como pais e mães de alguém. Verdade seja dita, com alguns que os anos foram afastando, essa é já uma realidade, daí que pare e pense nisso. Verdade seja dita, os anos estão a passar demasiado depressa. É assustador!

Voltando ao assunto do post.

A grande problemática da tia fixe remete á questão do grupo mais próximo estar a adiar o inevitável. Uma ínfima parte de nós não encontrou aquela parte concreta da fórmula, o resto da equação, a variável masculina, para completar mais um ciclo. Talvez o buço que encaracola, a sobrancelha junta, o ter nascido com escamas por todo o corpo, usarmos placa aos vinte e poucos, dificulte a situação! Ou isso ou tornamo-nos exigentes o suficiente para não descer do salto por “tuta e meia”.

A minha geração anda sem tempo para ter filhos. A minha geração anda sem paciência para namorar, para conhecer, para viver o outro, quanto mais para ter filhos. Pessoalmente, não deitei cartas.

Sobre homens não falo, seria bater no ceguinho, mas no que diz respeito a crianças, o assunto muda de figura.

Primariamente assumi que era mesmo a falta de instinto que me afastaria destas lides, contudo os últimos dias mudaram a perspectiva de uma forma assombrosa. A facilidade com que me descobri a assumir a responsabilidade de tomar conta de uma criança ou de um grupo de adultos “especiais”, leva-me a crer que afinal de contas ainda há esperança.

Dei por mim a olhar para crianças e a desenhar-se-me um sorriso na cara. Fiquei ofendida quando alguém ousou comentar que fulana tinha mais instinto do que eu, e beltana seria mãe mais coisa menos coisa.

(riso) Os anos passam e quer queiramos, quer não, as mudanças afectam-nos no mais profundo do ser.

Ridículo comentar isto num blog, mas de facto, alguns dos melhores momentos que passei neste verão, foram com o peso da responsabilidade de tomar conta de uma(s) criança(s). A condução mais responsável. A atenção constante. O ensinar de algo e explicar ao pormenor as pequenas coisas. A alegria de constatar que a explicação surtia algum efeito.

Irónico? Há muito tempo que não era tão feliz. Só, assim, sem pensar nisso. Apenas Feliz.

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