Uma história – 1

Clap, clap, clap, clap… e os passos soaram no soalho de madeira, como cascos de cavalo, a trote.  O vestido esvoaçava enquanto o som se tornava mais audível.  Tão leve. Em tempos também eu caminhara assim tão leve naquele mesmo corredor. Em tempos, digo!

Ela aproxima-se, abranda o passo e pergunta-lhe num tom doce, quase em surdina:

– “Ainda aqui?”

Ele ficara com o olhar preso nas teclas. Ora nas pretas, ora nas brancas, ora na pauta, ora nas brancas, ora nas mãos. Não sabia se seria necessário reunir mais coragem para desistir, para tentar ou para esgotar forças a lutar.

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