O Iceberg

As vezes gostava de vos dar um banho de realidade…

As vezes vejo coisas que me custam a acreditar que sejam verdade. Custa-me a acreditar que aconteçam e que neste mundo consigam viver pessoas num sufoco tão grande como alguns vivem. E a força que essas pessoas têm para conseguir apenas estar. Apenas ser. Existir!

Existe uma diferença entre ver uma fotografia do iceberg e vê-lo ao vivo, sentir o seu cheiro e respeitar a dimensão do monstro… Agora imaginem o que será viver no Iceberg sem saber a sua dimensão e as implicações que isso possa trazer. As vezes só, outras vezes com uma multidão. Uns por bem, outros que nem por isso.

A saúde mental não  me causa medos ou receios… mas já causou. Preconceito? Só contra gente mal formada que todos os dias tem atitudes de tirar do sério qualquer um que seja digno de ser classificado como ser de bom-senso.

Eu gosto de pessoas. Gosto de pessoas que me ensinam coisas. Gosto de pessoas que me ajudam a crescer. Gosto dos afectos e da cumplicidade que se cria durante essa aprendizagem, mas por vezes sinto-me inútil por não poder fazer mais, não saber e muitas vezes nem dever fazer mais do que me compete. Fico na plateia a assistir a estas batalhas.

Sou tão nova meu Deus! E mesmo assim precisava de viver mais três gerações para conseguir achar um sentido e uma ordem para isto tudo. O meu mais profundo respeito e solidariedade a todos aqueles que vivem no “Iceberg”.

E eu escrevo isto e volto a ler, e tudo o que eu tenha dito não deixa de soar a lugar comum e a conversa de uma miúda mimada, apenas porque não consigo ter palavras para vos levar a alcançar a profundidade da minha surpresa e admiração.

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