Maria clementina

Como se colhe uma mulher?
Nem sempre é touro p’ra colher
E o matador que há em mim
Não bandarilha num jardim.
Ser pegador tão floreado
Não faz que eu seja bom forcado.
Se da plateia vêm flores
A cada “Olé” eu sinto dores.
Foi-se esta veia assassina
Veio a Maria Clementina.

Como se apanha um coração
Sem dar o nosso por caução?
O caçador que há em mim
Não se deixa abater assim
Mas p’lo disparo sem certeza
Ricocheteia a Natureza.
Se da culatra vêm flores
Eu digo ais mas não de dores.
Um tiro errado não se ensina;
Veio a Maria Clementina.

Como se cala uma cantiga
Sem trautear quanto isso obriga?
O surdo-mudo que há em mim
Já ouve o anunciado fim.
De tão cinzenta previsão
Alaranjou-se-me a intenção.
Se te amordaço e dás-me flores
Que me castiguem justas dores.
Foi-se esta predatória sina;
Veio a Maria Clementina.

É pra verem como ando! Não estou nada bem. Nada, nada, nada bem… Acho que levei uma sticada na moleirinha… pior é que este tipo de pancada até tem o seu “q” de agradável… muito agradável.

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