Aquele de quem todos falam…

“O escritor português e Prémio Nobel da Literatura em 1998 José Saramago morreu dia 18 de junho de 2010, aos 87 anos em Lanzarote.”

Não me vou despedir do senhor, até porque nunca o conheci. Não há motivo para me despedir de alguém que não me conheceu e que eu não conheci. Não soube apreciar o seu génio. Dizem as bocas que era um homem afrente para o seu tempo.

Do memorial do Convento, ficou-me o dinheiro mal gasto e a certeza de que para além da página dos percevejos, pouco absorvi. Lamento, mas o meu QI não foi grande catalisador para que a obra cumpra os seus desígnios na minha mente. Lamentável. Talvez um dia consiga ler uma obra do senhor. Vou esperar. Crescer um pouco como pessoa, como ser humano, amadurecer e pode ser que depois disso faça mais uma tentativa.

Invejo contudo a força deste homem. A sorte que teve na vida. A sorte que fez por ter. O saber amar e ser amado e aos oitenta e tantos anos ter a lucidez de encarar o fim. Talvez seja por isso que se tenha poupado à pontuação. O senhor sabia fazer uso dos silêncios, não precisava dos pontos para o relembrar que haverá sempre um silêncio. Ao que parece, teve tempo para tudo. Deixou inacabados, mas era inevitável, já viram algum grande espírito conformar-se e parar?

Eu não compreendi Saramago, o escritor, mas sinto que mais do que o valor comercial do seu nome, é imperativo que se mantenha viva a pessoa como modelo humano.

Nem todos nascemos génios, mas ainda não existe lei que nos vete a possibilidade de ficar de boca aberta perante estes espíritos.

VI

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