O chapéu de chuva verde

Entrou naquele pequeno cubículo enquanto  fechava o chapéu de chuva verde.

Dirigiu-se ao balcão e com a voz num tom calmo mas assertivo. Pediu um café e ofereceu um pequeno sorriso. Olhou á volta. Tinha sido notada. Uma cara nova.

Ela reparou e talvez por timidez desviou o olhar para o televisor.

O rapaz do balcão sorriu.

Pagou o café e bebeu-o sem açúcar. Quente e amargo.   Desta feita agradeceu e sorriu.

Saiu e debaixo do chapéu de chuva verde, envolta pela chuva e pelo azul profundo das nuvens, sentiu-se num amargo e doce. Com pequenos saltos fintou as poças de água escura e seguiu o seu caminho. Pensou nele. Não no rapaz do balcão, mas nele.

“Coração! Chamou-me Coração! Pfff… Corações há muitos! Seu Palerma!”

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