Diário de um Médico

Olhem amigues, arrecebi este émaile e ache qué boa idea partelha-lo vom vocemecês 🙂 Espero que gostem. Agora já compri o meu dever de partilhari, posse ir a minha vidinha. Só falta desligar o gás, fechar as janelas e ir.

Nô, obrigada pelo mail.

 _________________________________

Carlos Barreira da Costa , médico Otorrinolaringologista da mui 
nobre e Invicta cidade do Porto, decidiu compilar no seu livro 
“A Medicina na Voz do Povo”, com o inestimável contributo de muitos 
colegas de profissão, trinta anos de histórias, crenças e dizeres 
ouvidos durante o exercício desta peculiar forma de apostolado que 
é a prática da medicina. E dele vão verdadeiras jóias deste tão 
pouco conhecido léxico.
 
Os aparelhos genital e urinário são objecto de queixas sui generis:
“Venho aqui mostrar a parreca”.
“A minha pardalona está a mudar de cor”.
“Às vezes prega-se-me umas comichões nas barbatanas”.
“Tenho esta comichão na perseguida porque o meu marido tem uma 
infecção na ponta da natureza”.
“Fazem aqui o Papa Micau ( Papanicolau )?”
“Quantos filhos teve?” - pergunta o médico. “Para a retrete foram 
quatro, senhor doutor, e à pia baptismal levei três”.
“Apareceu-me uma ferida, não sei se de infecção se de uma f... mal 
dada”.
“Tenho de ser operado ao stick . Já fui operado aos estículos”.
“Quando estou de pau feito... a p... verga”.
“O Médico mandou-me lavar a montadeira logo de manhã”.
 
O diálogo com um paciente com patologia da boca, olhos, ouvidos, 
nariz e garganta é sempre um desafio para o clínico:
“Quando me assoo dou um traque pelo ouvido, e enquanto não puxar 
pelo corpo, suar, ou o ca..., o nariz não se destapa”.
“Não sei se isto que tenho no ouvido é cera ou caruncho”.
“Isto deu-me de ter metido a cabeça no frigorífico. Um mês depois 
fui ao Hospital e disseram-me que tinha bolhas de ar no ouvido”.
“Ouço mal, vejo mal, tenho a mente descaída”.
“Fui ao Ftalmologista, meteu-me uns parafusinhos nos olhos a ver se 
as lágrimas saiam”.
“Tenho a língua cheia de Áfricas”.
“Gostava que as papilas gustativas se manifestassem a meu favor”.
“O dente arrecolhia pus e na altura em que arrecolhia às imidulas 
infeccionava-as”.
“A garganta traqueia-me, dá-me aqueles estalinhos e depois fica 
melhor”.
 
As perturbações da fala impacientam o doente:
“Na voz sinto aquilo tudo embuzinado”.
“Não tenho dores, a voz é que está muito fosforenta”.
“Tenho humidade gordurosa nas cordas vocais”.
“O meu pai morreu de tísica na laringe”.
 
Os “problemas da cabeça” são muito frequentes:
“Há dias fiz um exame ao capacete no Hospital de S. João”.
“Andei num Neurologista que disse que parti o penedo, o rochedo ou 
lá o que é...”.
“Fui a um desses médicos que não consultam a gente, só falam pra 
nós”.
“Vem-me muitos palpites ruins, assim de baixo para cima...”.
“A minha cabecinha começa assim a ferver e fico com ela húmida, 
assim aos tombos, a trabalhar”.
“Ou caiu da burra ou foi um ataque cardeal”.
 
As dores da coluna e do aparelho muscular e esquelético são difíceis 
de suportar:
“Metade das minhas doenças é desfalsificação dos ossos e intendência
 para a tensão alta”.
“O pouco cálcio que tenho acumula-se na fractura”.
“Já tenho os ossos desclassificados”.
“Alem das itroses tenho classificação ossal”.
“O meu reumatismo é climático”.
“É uma dor insepulcrável”.
“Tenho artroses remodeladas e de densidade forte”.
“Estou desconfiado que tenho uma hérnia de escala”.
 
O português bebe e fuma muito e desculpa-se com frequência:
“Tomo um vinho que não me assobe à cabeça”.
“Eu abuso um pouco da água do Luso”.
“Não era ébrio nato mas abusava um pouco do álcool”
“Fujo dos antibióticos por causa do estômago. Prefiro remédios 
caseiros, a aguardente queimada faz-me muito bem”.
“Eu sou um fumador invertebrado”.
 
O aparelho digestivo origina sempre muitas queixas:
“Fui operado ao panquecas”.
“Tive três úlceras: uma macho, uma fêmea e uma de gastrina”.
“Ando com o fígado elevado. Já o tive a 40, mas agora está mais 
baixo”.
“Eu era muito encharcado a essa coisa da azia”.
“Senhor Doutor a minha mulher tem umas almorródias que com a sua 
licença nem dá um peido”.
“Tenho pedra na basílica”.
“O meu marido está internado porque sangra pela via da frente e 
pinga pela via de trás”.
“Fizeram-me um exame que era uma televisão a trabalhar e eu a comer 
papa”.
“Fiz uma mamografia ao intestino”.
“O meu filho foi operado ao pence (apêndice) mas não lhe puseram os 
trenos (drenos), encheu o pipo e teve que pôr o soma (sonda)”.
 
Os medicamentos e os seus efeitos prestam-se às maiores confusões:
“Ando a tomar o EspermaCanulado”- Espasmo Canulase
“Tenho cataratas na vista e ando a tomar o Simião” – Sermion
“Andei a tomar umas injecções de Esferovite” – Parenterovit
“Era um antibiótico perlim pim pim mas não me fez nada” – Piprilim
“Agora estou melhor, tomo o Bate Certo” – Betaserc
“Tomo o Sigerom e o Chico Bem” - Stugeron e Gincoben
“Ando a tomar o Castro Leão” – Castilium
“Tomei Sexovir” – Isovir
“Tomo uma cábulas à noite”.
“Tomei uns comprimidos “jaunes”, assim amarelados”.
“Tomo uns comprimidos a modos de umas aboborinhas”.
“Receitou-me uns comprimidos que me põem um pouco tonha”.
“Estava a ficar com os abéticos no sangue”.
“Diz lá no papel que o medicamento podia dar muitas complicações e 
alienações”.
“Quando acordo mais descaída tomo comprimidos de alta potência e f
ico logo melhor”.
“Ó Sra. Enfermeira, ele tem o cu como um véu. O líquido entra e nem 
actua”.
“Na minha opinião sinto-me com melhores sintomas”.
 
O que os doentes pensam do médico:
“Também desculpe, aquela médica não tinha modinhos nenhuns”.
“Especialista, médico, mas entendido!”.
“Não sou muito afluente de vir aos médicos”.
“Quando eu estou mal, os senhores são Deus, mas se me vejo de saúde 
acho-vos uns estapores”.
“Gosto do Senhor Doutor! Diz logo o que tem a dizer, não anda a 
engasular ninguém”.
“Não há melhor doente que eu! Faço tudo o que me mandam, com aquela 
coisa de não morrer”.
 
Em relação ao doente o humor deve sempre prevalecer sobre a sisudez 
e o distanciamento. Senão atentem neste “clássico”:
“Ó Senhor Doutor, e eu posso tomar estes comprimidos com a menstruação?
Ao que o médico retorque: “Claro que pode. Mas se os tomar com água é 
capaz de não ser pior ideia. Pelo menos sabe melhor.”
Anúncios