Porquê? realidade vs ilusão

Que porcaria, os conceitos de sociologia ainda vagueiam algures por aqui. Fiquei a pensar no conceito de hiper-realidade de Baudrillard e a pensar se no final de contas não fomos educados numa ilusão (claro que isto aplica-se mais as gerações de oitenta para a frente- gerações diferentes, duvidas existenciais e realidades diferentes).

Construímos sonhos e criamos objectivos com base num conhecimento de uma realidade que não existe, numa fasquia que possivelmente rebenta a escala no mundo real. Ok. Grande parte de nós nunca vai ser podre de rico. Dificilmente será alcançada a tal meta de realização profissional/reconhecimento/internacionalização da carreira(a excepção dos casos claros de talento natural e muito trabalho). Poucos são os que aprendem a viver de modo são na realidade dos relacionamentos e quando falamos do bicho-casamento quase que imagino um tijolo de C4 em cima das estatísticas de casais que viveram “felizes para sempre”.

Pessimista? Não.

Só que ninguém me avisou de que era difícil a tal história do livro, do filho, da arvore. Quando era miúda, ligava a televisão e na rua Sésamo as pessoas falavam com animais gigantes e as diferenças não significavam nada. Havia uma família que vivia com um extra-terrestre chamado Alf, que era uma mistura de papa formigas com macaco que vivia fazendo asneiras e no final ficava tudo bem porque ele tinha bom coração. Nos marretas, a porquinha namorava com o sapinho, e apesar do gajo ter pouquíssima personalidade, nunca ouvi falar na separação dos ditos. Do mesmo modo que ninguém ensina os pormenores mais mundanos sobre o viveram “felizes para sempre”.

Sinto que tenho 12 anos e tenho noção de que não vivo tão envolta nesta realidade quanto isso. Só continuo com dúvidas sobre o que fazer quando desligo a televisão, fecho a revista, acabo filme e saio á rua.

 

continua…

Pode ser que quando acabar isto esteja com as ideias mais arrumadas.

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One thought on “Porquê? realidade vs ilusão

  1. Ora bem, isto dá pano para mangas, camisas, calças e por aí fora. Não querendo entrar em pormenores técnicos e demasiado sérios digo, ora bem, digo que os sonhos são diferentes dos objectivos porquanto representaram algo mais “esotérico” e dificil de alcançar que os objectivos.
    Mas eu entendo o que queres dizer. Todos nós temos uma ideia, uma imagem construida com base na nossa educação, no modelo que queremos para nós mesmos. Se é real? É tão real quanto nós o queiramos que seja e quanto nos permitam que seja.
    É verdade que vivemos numa era de fast-food, fast relações, fast amor, fast paixão. Já o disse uma vez na minha casota. Hoje as coisas consomem-se à velocidade de download. Mas não é por causa disso que se deve medir tudo pela mesma bitola. O Amor ainda é possível. O Amor eterno também. E ainda há pessoas boas, inteligentes. Pelo menos eu ainda me quero acreditar nessa “coisa”.
    A geração de 80 à qual eu tenho o maior dos orgulhos em pertencer teve a sorte de viver as coisas de uma maneira mais real e menos virtual. Hoje há os telemóveis (coisa horrível), os mails, as horrorosas e degradantes redes sociais. A malta quer é dar umas quecas e passar para outra e prefere discutir o hi5 do namorado(a) do que que falar assuntos mais elevados.
    Há claramente uma falta de saber estar, saber ser. Há claramente uma perda de valores humanos. As pessoas são cada vez mais falsas, mais sonsas, mais hipócritas.
    Mas, my dear, think positive, assim torna-se ainda mais fácil separar o trigo do joio.
    …mas eu também sei que muitas das vezes é mesmo como aquela música épica que colocaste: “você não vale nada mas eu gosto de você”…
    Já falei demais…

    Beijocas ruidosas a estalar

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