Caeiro

Gosto do ceu porque não creio que elle seja infinito.

Que pode ter comigo o que não começa nem acaba?

Não creio no infinito, não creio na eternidade.

Crio que o espaço começa numa parte e numa parte acaba

E que agora e antes d’isso ha absolutamente nada.

Creio que o tempo tem um principio e tem um fim,

E que antes e depois d’isso não havia tempo.

Porque ha de ser isto falso? Falso é fallar de infinitos

Porque se soubessemos o que são de os podermos entender.

Não: tudo é definido, tudo é limitado, tudo é coisas.

 

[Poema inédito, sem data, transcrito por Jerónimo Pizarro.]

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