Vir para Portugal era “voltar para trás”

Eurico Hernâni Covas é emigrante há 25 anos em França, onde trabalha como guia-turístico. Tem família em

Portugal e viaja, de tempos a tempos, para visitar os seus entes queridos. Voltou de Angola em 1975. Passou por Portugal, mas não gostou do estado do país. Por isso emigrou.

Ao ser questionado sobre os motivos da emigração para França, Eurico, num desabafo, lamenta ter encontrado em Portugal um país em que a forma de pensar continuava a ser muito limitada. Não encontrou dificuldades na emigração, porque era uma época de grandes mudanças em França. Talvez fosse mais difícil uma mudança

de Bragança para Lisboa do que para fora do país. “Mesmo vindo de Angola achei mais de 30 anos de atraso, os mesmos que hoje se verificam em Portugal”, admite, quando fala das maiores diferenças que sentiu entre culturas. Eurico é um dos poucos portugueses que não faz planos de voltar definitivamente para terras lusas, isto porque, como o próprio, diz “isso seria voltar para trás”.

Perguntando-se, numa perspectiva fantasiosa, sobre quem apoiaria no decorrer de um jogo de futebol entre Portugal e França, Eurico Hernâni Covas, responde que não torceria nem Portugal nem por França. Argumentando que o futebol é o mal do nosso país, ou seja, a droga do povo.

 

Vera Inácio

 

EstaJornal nº14 (29.06.07)

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