Cães maus ou maus donos?

A inclusão, numa lista feita para o Parlamento Europeu por uma deputada italiana, de duas raças portuguesas de cães perigosos surpreendeu-me e deixou-me, para além de indignada, a questionar os critérios de selecção para entrada nesta lista. Serra da Estrela e Rafeiro do Alentejo são raças milenares que têm mantido intactas as suas características funcionais e comportamentais, segundo o comunicado à imprensa da Associação Portuguesa do Cão Serra da Estrela.

De um momento para o outro, os comunicados, críticas e discussões sobres os cães portugueses e raças “perigosas” multiplicaram-se por todo o país. Em especial sobre estas duas raças, concordo com criadores e associações que as defendem afirmando que são animais fiéis, protectores, tolerantes e cuidadosos com as crianças.

Desde sempre que lido com cães e sempre me interessei por estes animais e pelas suas características particulares, preocupando-me em ler sobre o assunto e conhecê-los melhor. Logo, devo admitir que não acredito em cães ou raças particulares de cães perigosos, isto porque estes são animais que, ao verem as suas necessidades preenchidas e a sua segurança assegurada, são pacíficos e excelentes companheiros.

Quanto aos cães perigosos que são usados como armas em assaltos ou que atacam pessoas sem motivo aparente, regra geral, o problema encontra-se nos donos que cometeram erros na educação do animal. Tudo tem peso e medida, e esta mesma regra aplica-se na educação de um animal, seja ele cão, gato, rato, chinchila ou periquito, por mais limitada que seja a sua inteligência. Até mesmo na educação daqueles que são

tendencialmente mais conflituosos ou enérgicos é possível criar um animal afável e respeitador

dos espaços alheios. César Millan, no livro “A paixão de César”, explica, ensina e ajuda entender como funcionam estes animais. Recomendo vivamente a leitura deste autor e da revista “Cães & Companhia”, assim como a consulta dos sítios na internet de associações de criadores de animais.

Um animal de estimação é um amigo, uma alegria no dia-a-dia do dono, mas é também um “contrato de responsabilidade”. Por isso, aconselho todos os interessados a informarem-se e a serem curiosos sobre os seus animais ou a pesquisar antes de adquirirem determinado animal. Cada animal e cada raça são diferentes, mas a recompensa de um amor incondicional não tem preço.

V.I.

EstaJornal (ed.nº13 – 13.04.09)

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