Ai eu! E a Carolina

Ora viva, hoje é um dia feliz! O momento pelo qual eu e a grande massa cultural portuguesa esperávamos, finalmente, chegou! O país está em êxtase! Eis que vindo da bruma, tal qual Dom Sebastião, nasce a proposta da criação do melhor momento cultural português. Estão criadas as condições para uma nova era de enriquecimento cultural. Finalmente vamos poder ver nas telas de cinema um filme inspirado no fantástico livro de Carolina Salgado. Mal posso esperar! Finalmente vou conseguir perceber por que é que um dirigente desportivo e um presidente do conselho de arbitragem gostam tanto de jantar juntos. Cheira-me a modernice.

De qualquer modo, qual bênção divina, agradeço o facto de os cinemas ainda não terem cheiro, isto porque ver a senhora dona Carolinha a aparar os pelos dos ouvidos do seu cônjuge, assim como a cortar-lhe as unhas, ultrapassa a minha noção de realismo cinematográfico. Mas a melhor de todas é a táctica da Carolininha de disfarçar os “descuidos” do seu amor com um cigarrinho, tinha toda uma dimensão diferente, com cheiro, claro está! Depois disto, possivelmente vou ter de imigrar. Não me parece que a frase “há que limpá-lo” se refira a um duchezito, mas não estou muito preocupada. A Rússia é já ali ao lado, e enquanto lá tiver especado o belo do cartaz do All Garve, a par do Kremlin, sentir-me-ei em casa.

Boas Algarviadas.

VI

EstaJornal nº14 (29.06.07)

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