As escadas da igreja

Sentei-me nas escadas que decidiram o meu caminho…

Era uma tarde nos finais dos anos 90. Sei até que estava calor. A turma fez uma visita ao arquivo de um jornal local, na altura ainda com a componente de redação. Sempre gostei do cheiro de papel. Livros acabados de sair ou folhas com décadas… Foi lá que se publicou a minha primeira breve e fotografia. Ninguém fazia ideia do que era um blogue, com sorte alguns conheciam on mirc e tinham formas duvidosas de armazenar informação em servidores da rede.

Foi também ali que pela primeira vez ganhei consciencia de que podia ser quem eu quisesse (para perceber mais tarde que não era bem assim).

Existem sítios que ficam com um pouco de nós, pessoas que levamos em silêncio no coração, lugares onde nos sentimos em casa… Existem! Sem darmos por isso um dia “estamos em casa”.

Não interessa. No caminho ganhamos e perdemos o que não teria chance de acontecer de outra forma.

A divertida ironia continua a ser a de sempre… Péssima escolha de tempo e lugar. E eu escrevia sobre a impraticabilidade de sonhar e “viver”, ou por outras palavras, escrevia sobre a m#rda que é deixar de viver – quando desistimos de sonhar ou quando o medo nos paralisa.

A única coisa que me desagrada mais do que mudanças é aperceber-me da ansiedade provocada pela total ausência de certezas. Vá e a estagnação. O tédio.

Há gente viva que já morreu. Andam entre nós. Perderam a capacidade de rir por coisa nenhuma. Rir dos outros. Deles mesmos. Dos erros. Das alegrias ou das piadas de humor negro… E eu tenho tanto medo de um dia ser assim.

E há gente no mundo a morrer à fome e eu nisto…

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You only get one life

Ficar acordada até tarde antes do feriado para ter mais uns minutos de coração mole e borboletas no estômago.

“You only get one life. It’s actually your duty to live it as fully as possible.”

― Jojo Moyes, Me Before You

Esta pérola tem também uma banda sonora “quentinha”. L-O-V-E I-T!

Here!

X, Y, Z – Quem são estas pessoas?

Apesar de ter estudado comunicação, deparo-me com uma necessidade quase constante de perceber na perspectiva da psicologia a barreira comunicativa entre os baby boomers, a geração X (com a qual tenho um contacto familiar limitado e laboral ainda mais restrito), Y (da qual faço parte) e Z, onde se encaixam os mais novos.

Seja como for a tecnologia, a pressão económica e os factores de tensão social acabaram por moldar as nossas perspectivas do mundo laboral de forma bastante distinta. Se para uma geração o ideal é largar tudo se não se sentirem felizes, para a outra a primazia está na segurança.

A link seguinte que vos deixo, tem uma explicação sobre cada uma das classificações e sobre o impacto de cada uma na nossa sociedade. Espero que vos seja benéfico ou pelo menos que vos ajude a perceber a perspectiva de terceiros. Não queiras ir para “a ilha” quando a ilha é tudo o que nos rodeia. (Filosofia barata… 😉 )

Conflitos entre as gerações X, Y e Z.

Creativity

“The people who are crazy enough to think they can change the world are the ones who do.”

— Steve Jobs

Porque é que o amor é complicado

Tenho a certeza de que não sou a única pessoa a pensar sobre o assunto. Dá trabalho conquistar, manter, esperar por um futuro que tem limite. Porque sim. E ninguém quer estar sozinho só porque sim. Ninguém quer perder a fé nas borboletas. Ninguém quer ter um espaço vazio e uma casa a fazer eco quando chega depois de um dia de trabalho.

Porque é que o amor é complicado?

Porque é fácil sentir borboletas na barriga quando o sorriso dele se demora em ti. Toda a fé está posta nas loucuras, nos momentos em que o mundo pára e é só vosso! E é maravilhoso!

Esquecemos todas as vezes em que o coração ficou partido e as lágrimas tomaram conta do nosso rosto.

O amor é difícil por isso mesmo, porque não temos certeza mesmo quando pensamos que temos.

Porque é que o amor é complicado?

Porque todo o amor tem uma fase de deslumbramento e todo o amor nos leva a momentos de monotonia e rotina. Saber lidar com isso também é sentir amor. Saber combater e encontrar soluções, também é amor.

Tudo o que temos é o agora e o que queremos fazer com o “agora”. Se não existir fé, se não existir vontade de mais, de ser feliz, pergunto-me o que fazemos cá?

Sei que o meu coração não é feito de uma única peça. Por mais expostas e pessoais que sejam as minhas reflexões, por mais que falem aquilo que é “meu”, sei que é de todas as peças partidas que se faz a fé no amanhã.

Perguntam-me várias vezes porque é que vamos casar?

Se pensar bem ainda não respondi de forma honesta a ninguém. Respondo hoje a quem quiser ler, na certeza de que o amanhã é incerto.  Quero casar com esta pessoa porque quero viver com ele como se fosse o último dia, quero celebrar o tempo que já passou e o tempo que não sei se eu ou ele temos. Quero celebrar com os nossos amigos e família a maior obra de arte e a “coisa” mais bonita que Ele e Deus me deram, que é o nosso rebento.

Quero sentir o coração cheio e viver a alegria de partilhar a nossa família com o mundo porque a única coisa que temos é o hoje e um coração cheio e sobre o amanhã ninguém sabe. F0dam-se os hipócritas, os corações partidos (porque também já parti o meu e voltei a colar e a partir e a colar, tantas vezes que me esqueci de contar)…

Se sonhar e querer mais fizer de mim uma tola ou uma miúda (é só para acompanhar o aspecto físico)… Sonhar é a única coisa que me mantém a mesma pessoa que carregava uma boneca ruiva pela sala da minha mãe. É a única coisa que me continua a ligar aquela pessoa que aparecia em casa com uma caixa cheia de gatos ou até mesmo à pessoa que fez as malas e foi para Braga atrás da felicidade. Apaixono-me todos os dias, por mim a ser feliz, por pessoas, por sítios, por detalhes. Tomei uma grande dose de #f0da-se# até chegar aqui. Desisti tantas vezes que me cansei de desistir.

Amar é difícil, mas não amar é mais.

 

 

A soma das partes. Os anos.

Ficava na pele com um gosto doce amargo de quem conta uma história que não é a sua. Velha, cansada.

Os últimos anos não foram fáceis, nem para ela, nem para mim. A pele escureceu, a vida queimou-nos e de um momento para o outro não somos o que éramos quando tínhamos 14 anos.

Depois de muitos anos, de uma vida inteira, resolvi seguir caminho sem a minha primeira tatuagem. A nossa relação não era a mesma e o desgaste era óbvio. Não seria uma questão de retoque mas sim de mudança. O fim estava perto e eu sabia-o.

Tal como da primeira vez, já tinha pensado e repensado… mas o dia certo, a hora mais adequada, permitiram acabar com este sofrimento e a minha tatuagem desapareceu para dar lugar a um estado de alma estampado.

Está enorme, maior do que pensei que seria capaz de fazer. Está negra como o carvão, mas balança e voa, ama e vive. Quase que com vida própria se assume na minha pele.

Aos 32 anos, fiz a minha segunda tatuagem. Anos antes alguém disse: “Quem faz a primeira, faz a segunda…”

E sim, doí, arde, nos dias seguintes doí mais ainda do que aqueles 50 minutos na cadeira do tatuador… Doí quase que como aviso, porque a dor sente-se na pele e na carteira.

Dentro de um par de meses visto-me de “senhora” e não sou a mesma pessoa de há 18 anos atrás.

Eu mostro-a. Depois.